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Sem CEP e sobre a água: ambientalista constrói casa flutuante e escolhe viver no rio em MG
31/03/2026
(Foto: Reprodução) Sem CEP e sobre a água: ambientalista constrói casa flutuante e escolhe viver no rio em MG
O endereço não tem CEP nem número fixo. Ainda assim, existe e é levado a sério por quem mora ali: “Avenida Rio Verde, número 235 km”, responde, sem hesitar, o ambientalista Ronipeterson Landim.
É sobre as águas do Rio Verde que ele vive há quatro anos, dentro de uma casa que não toca o chão. A construção começou com as próprias mãos, peça por peça, até se transformar em lar.
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📺Até10 de abril, o g1 Sul de Minas e a EPTV percorrem o Lago de Furnas na expedição especial “Travessia das Águas”, que mostra a dimensão, a importância econômica e as histórias de quem vive da água em torno do maior reservatório de água doce do Sudeste e um dos maiores do Brasil. Além das reportagens especiais no portal e de conteúdos exibidos nos telejornais da EPTV, é possível acompanhar os bastidores da expedição em um diário de bordo em tempo real.
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Vista de fora, a cena desperta curiosidade imediata: uma estrutura de madeira flutuando, cercada por silêncio, vento e o movimento constante da água. Por dentro, porém, a rotina é menos exótica do que parece.
“É uma vida normal”, resume.
Ambientalista constrói casa flutuante e escolhe viver no rio em MG
Júlia Reis/g1
Da ideia ao lar: 90 dias para começar e anos para terminar
A decisão de morar sobre o rio não veio por impulso. Surgiu de uma inquietação antiga. Ronipeterson vivia na margem do Rio Verde havia quase duas décadas, mas desejava mais proximidade com a natureza. Mais do que observar o rio, queria estar dentro dele.
A construção começou pelo essencial: o banheiro. Não por acaso. Ambientalista, ele priorizou o impacto da obra sobre o meio ambiente. Para evitar a contaminação da água, implantou uma fossa de evapotranspiração, sistema que trata o esgoto sem devolvê-lo ao rio.
Depois disso, veio o restante. Sem pressa. A casa levou cerca de 90 dias para se tornar minimamente habitável, mas nunca foi considerada totalmente pronta. Sempre houve algo a acrescentar.
“Eu não terminei. Fui fazendo aos poucos”, conta.
O projeto inicial tinha 36 metros quadrados. Hoje, soma 112 m², com quarto, cozinha, fogão a lenha e novos espaços que foram surgindo conforme a necessidade.
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Ambientalista constrói casa flutuante e escolhe viver no rio em MG
Júlia Reis/g1
Uma casa que flutua
Debaixo do piso, não há fundação de concreto. A estrutura é sustentada por 96 tambores de 200 litros, responsáveis pela flutuação.
Acima deles, um trabalho quase artesanal. O chão foi montado com 770 tábuas reaproveitadas de paletes. Cada pedaço de madeira precisou ser desmontado manualmente, com cuidado para não rachar.
“Deu muito trabalho soltar cada madeirinha”, lembra.
O resultado é uma casa construída a partir do reaproveitamento de materiais, o que ajudou a reduzir custos, mas exigiu tempo, paciência e dedicação.
Ambientalista constrói casa flutuante e escolhe viver no rio em MG
Júlia Reis/g1
Entre capivaras, lontras e o incômodo dos borrachudos
Se a vista é privilegiada, a convivência com a natureza também é direta, em todos os sentidos. Capivaras, lontras, peixes e patos selvagens fazem parte da rotina. Às vezes, são mais presentes do que vizinhos. Nem tudo, porém, é contemplação.
“Tem o borrachudo”, diz, referindo-se ao inseto comum em áreas ribeirinhas e que pode tornar o dia menos poético.
Ainda assim, o balanço é positivo. O que poderia ser isolamento se transforma, para ele, em tranquilidade.
Ambientalista constrói casa flutuante e escolhe viver no Rio Verde, em Varginha
Júlia Reis/g1
Viver no rio é escolha e permanência
A casa flutuante não é um experimento temporário. É uma escolha de vida. Foi ali que Ronipeterson acendeu o fogão a lenha pela primeira vez, há quatro anos, um marco que considera o início oficial da nova rotina. Desde então, não cogita voltar atrás.
“Às vezes a gente pensa que precisa de mais conforto. Mas minha paz de espírito está aqui”, afirma.
Entre idas e vindas da travessia, a casa segue firme, acompanhando o ritmo da água, sem pressa de chegar a lugar algum. Porque, para quem escolheu viver no rio, o destino já é o caminho.
Infográfico - Usina de Furnas em números
Arte g1
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