Roraimense realiza sonho e é aprovada para ser diplomata no Itamaraty: 'Convicção inabalável'

  • 18/08/2026
(Foto: Reprodução)
Roraimense realiza sonho e é aprovada para ser diplomata no Itamaraty A roraimense Nínive Thaís Verde Sampaio Memória, de 28 anos, foi aprovada no concurso para a carreira de diplomata do Itamaraty, considerado um dos mais difíceis do Brasil. Para alcançar o resultado, foram horas de estudo, quatro reprovações, uma perda pessoal e até uma promessa feita ao Flamengo. Agora, ela celebra a aprovação e aguarda pela posse: "O importante é que você realmente queira". A jovem conta que decidiu ser diplomata ainda na infância. Aos 12 anos, fez um mapa astral na internet que apontou que ela tinha uma "personalidade diplomática". Curiosa, passou a pesquisar sobre a profissão e decidiu que aquela seria carreira que seguiria. Nínive conquistou uma das 60 vagas oferecidas em um concurso que teve mais de 10 mil inscritos e cinco dias de provas, com disciplinas como português, inglês, história, geografia, política internacional, economia, direito e uma terceira língua estrangeira. 💼 Diplomatas são servidores públicos que integram o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty). Entre as funções, está representar o Brasil em reuniões internacionais, negociar acordos com outras nações e prestar assistência aos brasileiros no exterior. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp 🌐 Quando começar a trabalhar, ela vai exercer o cargo de terceira-secretária, que marca o início da carreira diplomática. O salário inicial é de R$ 22.558,56. A convocação deve ocorrer na primeira quinzena de novembro, seguida das etapas burocráticas que antecedem a nomeação e a posse. A confirmação da aprovação, publicada no dia 24 de junho, foi acompanhada de uma mistura de surpresa e emoção. Nínive disse que estava cautelosa para não criar expectativas até ver a lista definitiva. "Vi que minha nota tinha subido, mas não queria criar muitas expectativas, sabe? Quando enviaram a planilha [dos aprovados] pude gritar sozinha no elevador. No apartamento chorei, pulei, explodi um tubo de confete (ganhei para estourar quando passasse) e liguei pros meus familiares, depois comemorei com amigos", relembrou. A futura diplomata avalia que o principal desafio não é a quantidade de concorrentes, mas o alto nível de preparação dos candidatos e a complexidade da prova. "Apesar de manter sempre a diplomacia como norte, minha convicção não foi inabalável, pois existe uma insegurança enquanto você não atinge o resultado esperado". Para fazer o concurso não é exigida uma formação específica, mas é necessário ter algum diploma de curso superior reconhecido pelo Ministério da Educação. Mas, no caso de Nínive, ela cursou Relações Internacionais na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Minas Gerais. Preparação para o concurso Depois de concluir o curso de Relações Internacionais, em 2021, Nínive se mudou para Brasília. Inicialmente, planejava conquistar estabilidade financeira por meio de outro concurso público enquanto se preparava para a carreira diplomática. Até ser aprovada este ano, ela tentou o concurso outras quatro vezes, em 2022, 2023, 2024 e 2025. Em maio de 2023, Nínive decidiu se dedicar exclusivamente ao Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), com apoio financeiro do pai. A preparação, no entanto, foi interrompida por perdas pessoais: no fim daquele ano, ela perdeu a melhor amiga e, em fevereiro de 2024, uma tia que considerava como uma irmã mais velha. Após meses afastada dos estudos, retomou a preparação. Em 2025, passou a buscar mais equilíbrio entre os estudos e a saúde física e mental. Nínive chegou à segunda fase do concurso pela primeira vez em 2024. No ano seguinte, acreditava estar mais preparada, mas não conseguiu a aprovação. Segundo ela, o desempenho na prova de espanhol prejudicou o resultado. "Nas primeiras vezes achei justo não passar, eu não tinha um bom nível ainda. Só fiquei muito decepcionada em 2025, pois tinha estudado bem e estava mais confiante. Depois de algumas semanas de descanso, peguei meu sentimento negativo e usei para estudar", contou. Para a edição de 2026, ela encontrou no futebol uma motivação extra. Nínive prometeu que estudaria pelo menos três horas e meia por dia durante 100 dias caso o Flamengo conquistasse o Campeonato Brasileiro e a Libertadores. O time venceu as duas competições, ela cumpriu a promessa e, no fim, foi aprovada. Depois de avançar novamente para a segunda fase em 2026, Nínive apertou ainda mais o ritmo: nas duas semanas que antecederam as provas, passou a estudar oito horas por dia. Depois de várias tentativas, ela diz que não existe uma fórmula única para ser aprovado no concurso, mas que é preciso ter persistência: "O importante é que você realmente queira, tenha foco, se esforce e não desista", afirmou. Além da preparação acadêmica, Nínive buscou acompanhamento psicológico para lidar com as frustrações e a pressão durante os anos de estudos. Trajetória de estudos Nascida e criada em Roraima, Nínive estudou os primeiros anos do ensino fundamental na rede pública, na escola estadual São José, em Boa Vista. Filha de um servidor público e de uma advogada, ela tem dois irmãos mais velhos por parte de pai. "Tive uma professora a quem tenho muito a agradecer. Ela teve a paciência de me ensinar a escrever um resumo quando estava na primeira ou segunda série. Eu não sabia fazer e acabei reescrevendo a história inteira do livro. Ela sentou comigo durante o recreio para me ajudar e meu texto ficou entre os três melhores de uma competição da época", lembra. Depois, estudou em escolas da rede privada. Ao concluir o ensino médio, foi aprovada em primeiro lugar no curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Roraima (UFRR), mas escolheu estudar em Uberlândia. "Decidi fazer na Universidade Federal de Uberlândia porque gostaria da experiência de viver sozinha longe da família e pelos desafios, para crescer. Também porque Uberlândia era próximo de Brasília", disse. Aos 17 anos, mudou-se para a cidade mineira, onde fez o ensino superior. Após se formar, mudou-se para Brasília. Próximos passos Atualmente, Nínive mora em Brasília. Embora ainda não esteja trabalhando, foi convocada para um cargo público no Ministério da Educação (MEC) e deve iniciar as atividades no começo de setembro. Enquanto aguarda a posse na carreira diplomática, já pensa nos caminhos que poderá seguir. Entre os interesses estão uma futura atuação no México e temas ligados ao meio ambiente, área que considera estratégica para as relações internacionais. Para ela, a aprovação representa o encerramento de um ciclo de anos de dedicação e persistência, além do início de uma nova etapa profissional a serviço do Brasil. Roraimense Nínive Thaís Verde Sampaio Memória, de 28 anos, aprovada para ser diplomata brasileira no Itamaraty Nínive Memória/Arquivo pessoal Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

FONTE: https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/08/18/roraimense-realiza-sonho-e-e-aprovada-para-ser-diplomata-no-itamaraty-conviccao-inabalavel.ghtml


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