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Quadrilha investigada por sonegação de R$ 132 milhões usava beneficiários do Bolsa Família para lavar dinheiro, diz polícia
07/05/2026
(Foto: Reprodução) Delegado Breno Varejão
Reprodução/TV Globo
O grupo suspeito de praticar um esquema de sonegação e fraudes fiscais que causou um prejuízo de mais de R$ 132 milhões aos cofres públicos dava dinheiro a beneficiários do programa Bolsa Família para lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada, segundo a Polícia Civil. Ao menos 14 pessoas e 36 companhias são investigadas.
A organização criminosa foi alvo da Operação Cortina de Fumaça, deflagrada na quarta-feira (6). Foram cumpridos, ao todo, 18 mandados de busca e apreensão, além de bloqueios financeiros e autuação dos suspeitos, que estão sendo monitorados por tornozeleira eletrônica. Não houve prisões até o momento. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
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Em entrevista coletiva nesta quinta (7), o delegado Breno Varejão, titular da Delegacia de Crimes Contra a Ordem Tributária, disse que o esquema contava com a participação de contadores para "camuflar" as sonegações e fraudes fiscais e driblar a fiscalização.
De acordo com ele, o esquema envolvia empresas de distribuição de alimentos. Algumas delas são sediadas no Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa), no bairro do Curado, na Zona Oeste do Recife. O grupo também atuava em Camaragibe, na Região Metropolitana, e em Caruaru e Bezerros, no Agreste.
"Eles [os contadores] representavam muitas vezes a empresa perante esses órgãos administrativos, a Receita, a Cefaz, a Jucepe, como procuradores, para estar destravando questões administrativas e criando essas empresas laranja. [...] Foram identificadas algumas pessoas e elas receberam, ou recebiam, programas como Bolsa Família e outros programas assistenciais do governo federal, enquanto titularizavam empresas de grande porte", disse.
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Conforme aponta o inquérito, os criminosos usavam dados de pessoas que recebiam os benefícios sociais para abrir empresas de fachada no nome delas.
"As investigações apontam que essas pessoas também eram beneficiadas, recebiam uma contraprestação pecuniária, financeira, para poder ter essa participação", explicou Breno Varejão.
O caso começou a ser investigado em 2023, mas o esquema era operacionalizado havia, ao menos, dez anos, segundo a apuração realizada pela Polícia Civil com o Ministério Público de Pernambuco. Entre as irregularidades encontradas, estava também a venda de mercadorias sem nota fiscal.
"Ele [esse tipo de crime] pode tanto contribuir para um desequilíbrio comercial perante os concorrentes e trazer um ambiente para desfavorecer e poder até quebrar contribuintes idôneos e honestos. Eles podem também incentivar que outros acabem entrando nessa prática e quem vai perder, de certa forma, é a arrecadação. E, consequentemente, o estado não consegue lançar para políticas públicas, saúde, educação, segurança", afirmou.
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