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Pix das Estrelas: Empresa investigada por rifas ilegais ligadas a clubes de futebol é alvo de mandados em SP
10/04/2026
(Foto: Reprodução) Operação Estrela Cadente, do MPRS, em SP
Divulgação/ Ministério Público do RS
A empresa Pix das Estrelas Ltda. foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos nesta sexta-feira (10), em São Paulo, por meio da operação Estrela Cadente, no contexto de uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). O nome da plataforma não foi divulgada pelo órgão, mas apurado pela reportagem.
O MP investiga a promoção de rifas eletrônicas ilegais e suspeitas de lavagem de dinheiro.
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Segundo apuração do g1, a empresa é administrada por Murilo Ferreira Gomes Filho. As investigações indicam que o empreendimento teria promovido sorteios com prêmios em dinheiro e bens de alto valor, como carros e eletrônicos, sem autorização legal, prática enquadrada como contravenção penal.
O g1 não identificou a defesa de Murilo e da Pix das Estrelas, e mantém espaço aberto para posicionamento.
"A empresa promovia sorteios travestidos de rifas, com informações fraudulentas relacionadas a autorizações e procedimentos. E, para poder usar o nome e marca dos clubes, ter um alcance maior e conferir aparência de legalidade a essas ações, firmava patrocínios com clubes de futebol e torcidas organizadas. Com isso, as ações tinham uma abrangência muito maior", explica o promotor de Justiça Flávio Duarte.
O MP solicitou mandados em dois endereços ligados ao investigado: uma residência em Santo André e um escritório na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Foram apreendidos celulares, computadores, documentos, contratos, registros financeiros e outros materiais que possam comprovar as irregularidades.
Não é informada a quantia que teria sida movimentada no suposto esquema, mas a Promotoria usa a expressão que são valores "aparentemente muito expressivos".
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Pix das Estrelas e contrato com o Grêmio
Para a Promotoria, a empresa ganhou visibilidade ao firmar, em agosto de 2025, contrato de patrocínio com o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. No anúncio da parceria, foi lançada uma campanha que prometia até R$ 300 mil via Pix ou um carro, além de outros prêmios em dinheiro. A ação teria como objetivo arrecadar recursos por meio da venda de "cotas" ou "bilhetes", associando a iniciativa à possível contratação de um jogador para o clube.
O g1 entrou em contato com a assessoria do Grêmio para manifestação. Até a última atualização desta reportagem, não houve retorno.
De acordo com o Ministério Público, a campanha teria apresentado uma série de inconsistências, como o uso de empresas diferentes para viabilizar as campanhas. Em alguns casos, os pagamentos eram direcionados a empresas distintas, algumas com CNPJs incompatíveis ou pertencentes a atividades completamente diferentes das informadas.
Além disso, o Ministério Público aponta que os participantes das campanhas não estariam adquirindo, de fato, cotas ou bilhetes, mas sim e-books (muitos deles gratuitos e disponíveis na internet) utilizados apenas como pretexto para a venda dos números dos sorteios.
As divergências também geraram insatisfação entre torcedores, que afirmaram ter sido enganados, já que a contratação do jogador prometido não ocorreu. Diante da repercussão negativa, a campanha inicial foi cancelada, e Pix das Estrelas e o Grêmio informaram que os valores pagos seriam devolvidos.
Outras campanhas
Ainda conforme o MP, mesmo após a rescisão do contrato com o Grêmio, formalizada em novembro de 2025, a Pix das Estrelas teria seguido promovendo campanhas semelhantes, desta vez associando-se a outros clubes de futebol. O Ministério Público afirma que o padrão de irregularidades teria permanecido o mesmo, com previsão e indícios de pagamento de prêmios em dinheiro.
As investigações também apontam inconsistências nos dados cadastrais da empresa. Diligências realizadas indicaram que o endereço informado como sede da Pix das Estrelas não corresponde a um local onde a empresa efetivamente funcione.
Para o MP, a estrutura criada, com uso de múltiplas empresas, endereços incompatíveis e fluxos financeiros fragmentados, teria como objetivo dificultar o rastreamento do dinheiro arrecadado, o que levanta a suspeita de lavagem de capitais.
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