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PF investiga se imóveis usados por Cláudio Castro foram vantagem indevida em troca de contratos de R$ 350 milhões
15/08/2026
(Foto: Reprodução) Cláudio Castro é alvo da 2ª fase da Operação Sem Refino, que apura fraudes na Refit
A Polícia Federal investiga se imóveis usados pelo ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foram concedidos como vantagens indevidas em troca de benefícios em contratos com o governo do estado.
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Um dos imóveis, uma casa de luxo em Petrópolis, na Região Serrana, está registrado em nome de uma mulher que é sócia do empresário Luiz Fernando Gomes, dono da Engeprat Engenharia e Serviços, empresa que manteve contratos com o governo estadual que ultrapassam R$ 350 milhões.
Segundo a investigação, cerca de R$ 50 milhões desse total foram contratados sem licitação. A PF apura se a relação entre os imóveis, o empresário e os contratos públicos indica um possível esquema de favorecimento.
Condomínio Locanda, em Petrópolis - endereço ligado a Claudio Castro
Rogério de Paula
A casa de Petrópolis foi alvo de busca nesta sexta-feira (14), na segunda fase da Operação Sem Refino. O imóvel fica em um condomínio residencial de alto padrão na região da Fazenda Inglesa, com cerca de 20 casas. Os imóveis do local são avaliados em mais de R$ 2 milhões.
A investigação também alcança a cobertura onde Castro mora com a família, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. O aluguel do imóvel também é analisado pelos investigadores.
A PF apura se a utilização do apartamento estaria relacionada a pagamentos ou benefícios concedidos à empresa de José Mauro de Farias Júnior, ex-policial federal e ex-secretário estadual de Transformação Digital, ligada à propriedade.
Castro frequentava casa de luxo
De acordo com a investigação da PF, Castro frequentava a casa de Petrópolis, inclusive nos fins de semana. Os investigadores também apuram a participação do ex-governador em reformas realizadas no imóvel.
Segundo a PF, Castro teria acompanhado intervenções na propriedade, entre elas a instalação de uma adega.
Ex-governador Claudio Castro
Tânia Rêgo/ Agência Brasil
O imóvel está registrado em nome de uma mulher que é sócia de Luiz Fernando Gomes. A Engeprat, empresa do empresário, manteve contratos com o governo do estado que somam mais de R$ 350 milhões.
A investigação busca esclarecer se a utilização da casa pelo então governador tinha relação com os contratos firmados pela empresa com o poder público.
Tratamento privilegiado
A segunda fase da Operação Sem Refino também investiga a possível atuação de agentes públicos para favorecer a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
A PF analisou o celular de Cláudio Castro, apreendido durante a primeira fase da operação, e apura se havia uma relação de proximidade entre o ex-governador e o grupo empresarial ligado à refinaria.
Segundo os investigadores, Castro não participaria diretamente da concessão das licenças ambientais da Refit, mas teria criado um ambiente favorável aos interesses da empresa dentro de órgãos do governo estadual.
A PF aponta como responsáveis pela atuação direta em favor da refinaria o então secretário estadual de Meio Ambiente, Bernardo Rossi, e o ex-presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Renato Bussière.
Bernardo Rossi (E) e Claudio castro (D)
Divulgação
Em 2024, durante o processo de renovação da licença da refinaria, o RJ2 mostrou que técnicos do Inea haviam se manifestado contra a renovação com base em um relatório que apontava aumento da contaminação do solo na região da Refit.
Mesmo com a manifestação técnica contrária, a renovação foi aprovada. Na época, Bernardo Rossi exonerou quatro servidores, entre eles a diretora responsável pela área.
Rossi e Bussière negam irregularidades na concessão das licenças.
Operação Sem Refino
A operação desta sexta-feira é a segunda fase da Sem Refino. Na primeira etapa, em maio, a PF apreendeu um celular e um tablet na cobertura onde Cláudio Castro mora com a família, na Barra da Tijuca.
Na mesma fase, o Supremo Tribunal Federal determinou a prisão do empresário Ricardo Magro, dono da Refit e considerado um dos maiores devedores de impostos do país. Ele está foragido e foi incluído na lista vermelha da Interpol.
A Refit é investigada por suspeitas de fraudes fiscais, sonegação de impostos e lavagem de dinheiro, além de supostas ligações com o crime organizado. Segundo a PF, a empresa teria sido transformada em uma espécie de “refinaria fantasma”, com operações que, de acordo com os investigadores, teriam provocado prejuízos bilionários aos cofres públicos.
Castro também fez uma viagem a Nova York na época em que participou de uma festa organizada por Ricardo Magro.
Refit: veja o histórico de investigações no grupo empresarial
Nesta sexta, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF. Além de Castro e Bernardo Rossi, estão entre os alvos o advogado Antonio Carlos Santos e os empresários Maurício Leite e Ana Carolina Miranda, suspeitos de envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro.
A investigação foi determinada pelo STF e apura a atuação do crime organizado e suas conexões com agentes públicos no estado do Rio.
Os investigados podem responder por crimes como gestão fraudulenta e temerária, lavagem de capitais, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes contra a ordem econômica na comercialização de combustíveis.
O que dizem os citados
A defesa de Cláudio Castro negou qualquer participação em irregularidades envolvendo a Refit e afirmou que o endereço alvo de buscas em Petrópolis não tem qualquer ligação com o ex-governador há meses.
Os advogados disseram ainda desconhecer o conteúdo integral da denúncia e que aguardam acesso às informações para se manifestar de forma mais detalhada.
Bernardo Rossi também negou qualquer participação em irregularidades envolvendo a Refit. Ele afirmou que sua atuação à frente da Secretaria de Estado de Ambiente ocorreu dentro da legalidade e que as decisões foram pautadas por critérios técnicos. Rossi declarou ainda que confia na Justiça.
O RJ2 não conseguiu contato com José Mauro de Farias Júnior e Maurício Leite, nem com os demais alvos da operação.