O que dizem as promessas dos candidatos ao governo do RS para enfrentar enchentes

  • 23/08/2026
(Foto: Reprodução)
Imagem de drone mostra voluntários procurando por moradores isolados em Canoas, no Rio Grande do Sul, em 5 de maio de 2024 REUTERS/Amanda Perobelli Enchente é o tema que mais preocupa os gaúchos nas eleições deste ano. Ainda por consequência das grandes cheias que atingiram o estado em 2024, um terço do eleitorado afirma que este é o principal problema do Rio Grande do Sul, segundo apontam recentes pesquisas de intenção de voto. Há dois anos, durante um El Niño — fenômeno que em 2026 voltou a atuar com intensidade na América do Sul —, a maior tragédia climática da história recente no RS afetava 2,4 milhões de pessoas. O número representa mais de 20% da população gaúcha. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Naturalmente, a primeira eleição estadual após o episódio tem a atenção voltada para a resiliência climática, proteção contra cheias, prevenção contra inundações e preparação de órgãos como a defesa civil. O g1 traz, nesta reportagem, o que está previsto no planos de governo dos quatro principais candidatos ao Palácio Piratini sobre enchentes e resiliência climática. Na última pesquisa Quaest, Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL) aparecem tecnicamente empatados, seguidos de Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB). Relembre a enchente de 2024 no RS Juliana Brizola (PDT) Juliana Brizola concorre ao governo do RS pelo PDT Divulgação O plano da pedetista propõe uma mudança de paradigma na Defesa Civil, passando da resposta emergencial para uma “gestão preditiva e permanente de riscos”. Trata ainda da adaptação da Infraestrutura e Drenagem Urbana para suportar grandes volumes de água nas cidades. Na área de habitação, promete atuar diretamente nas áreas de risco onde as enchentes causam mais danos sociais. Principais propostas: Sistema Integrado de Alerta Precoce: implantação desse sistema nas bacias hidrográficas críticas. Monitoramento de Cheias: expansão da rede telemétrica de monitoramento e alerta para secas e cheias. Mapeamento de Riscos e Evacuação: apoio aos 497 municípios no mapeamento das áreas sujeitas a inundações e deslizamentos, além da elaboração e atualização de planos de contingência e evacuação, com a realização de simulados. Brigadas Comunitárias: formação de brigadas comunitárias de Defesa Civil e criação de uma rede gaúcha de pesquisa sobre eventos extremos. Drenagem Sustentável (Infraestrutura Verde): apoio a soluções como parques lineares, bacias de retenção, jardins de chuva e pisos permeáveis nas cidades. Saneamento: adaptação das estações de tratamento de água e esgoto para resistirem aos riscos de inundação. Reassentamento Seguro: promessa de garantir reassentamento seguro, com moradia digna e infraestrutura, para famílias residentes em áreas sujeitas a inundações e deslizamentos. Cadastro Georreferenciado: criação de um cadastro georreferenciado das ocupações, loteamentos irregulares e áreas de risco, orientando a regularização fundiária e a prevenção de desastres. Criação da Força Estadual de Resposta Rápida do SUS, preparada para emergências sanitárias, epidemias e desastres socioambientais e promoverá a adaptação climática das unidades de saúde. Redes de Energia Blindadas: promessa de reforçar a fiscalização das concessionárias de energia, exigindo investimentos na resiliência da rede elétrica, com redes subterrâneas ou blindadas em áreas críticas e manutenção preventiva. Luciano Zucco (PL) Luciano Zucco é o candidato do PL ao governo do RS Mateus Raugust/Divulgação O plano do deputado federal dedica um capítulo à "Defesa Civil e Resiliência Climática", propondo a transição de uma cultura de resposta emergencial para uma política permanente de prevenção. Também destaca a necessidade de obras físicas e manutenção de estruturas de contenção de cheias e prevê a adaptação da infraestrutura do estado para suportar eventos climáticos extremos. Principais propostas: Profissionalizar e ampliar a capacidade permanente da Defesa Civil, com equipes técnicas, coordenações regionais, operação ininterrupta, equipamentos, telecomunicações redundantes, protocolos padronizados e estrutura adequada de comando e resposta. Orientar a política estadual de proteção e defesa civil pela prevenção e redução de riscos, incorporando critérios de resiliência ao planejamento, ao orçamento e aos investimentos públicos para diminuir perdas humanas, sociais, ambientais e econômicas. Instituir programa permanente de assistência técnica, capacitação, cofinanciamento e avaliação das estruturas municipais, priorizando os territórios de maior risco. Concluir, integrar e manter radares, estações hidrológicas e meteorológicas, sensores geotécnicos e demais sistemas de observação, assegurando cobertura territorial, operação contínua, manutenção, profissionais qualificados e intercâmbio de dados com União, municípios e instituições científicas. Transformar dados meteorológicos, hidrológicos e geológicos em previsões territorializadas dos efeitos esperados sobre pessoas, comunidades, rodovias, serviços e estruturas, permitindo decisões antecipadas de evacuação, bloqueio, mobilização e proteção. Integrar SMS, Cell Broadcast, sirenes, aplicativos, rádio, televisão, redes sociais e canais locais para emitir alertas claros. Atualizar continuamente os mapas de inundação, enxurrada, deslizamento, estiagem, incêndio e outros riscos relevantes. Definir uma carteira de obras prioritárias de proteção contra cheias, drenagem, contenção, amortecimento e estabilização. Concluir estudos por bacia: priorizar obras, recuperar diques, bombas e drenagem, implantar reservatórios e parques inundáveis. Não reconstruir em áreas de risco: aplicar mapas e avaliações técnicas à escolha de terrenos, projetos e reconstruções, adotando mitigação, adaptação ou reassentamento conforme a gravidade. Gabriel Souza (MDB) Gabriel Souza concorre ao governo do RS pelo MDB Rodrigo Ziebell/GVG O plano do emedebista trata o enfrentamento a enchentes e a resiliência climática como uma de suas prioridades centrais, dedicando um eixo ao tema. As promessas incluem ações transversais em áreas como habitação, infraestrutura, saúde, agricultura e pecuária, entre outros. Principais propostas: Ampliar investimentos em obras estruturantes de proteção contra cheias, através de recursos do Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos (FIRECE), bem como na recuperação e modernização da infraestrutura hídrica e no fortalecimento das estruturas críticas, com foco na ampliação da resiliência do território. Promover a gestão descentralizada dos recursos hídricos por meio do apoio aos Comitês de Bacia Hidrográfica, da atualização dos instrumentos de planejamento e da ampliação da participação dos usuários e dos municípios na gestão das águas. Implementação de um Plano Estadual de Segurança Hídrica articulando ações voltadas à reservação, armazenamento, distribuição e uso eficiente da água, priorizando investimentos em segurança das barragens estaduais com sistemas avançados de monitoramento remoto. Políticas de irrigação como componente estruturante da segurança hídrica e da adaptação climática. Recuperação de microbacias hidrográficas, conservação do solo e da água e valorização dos serviços ecossistêmicos, reconhecendo que a segurança hídrica depende não apenas da infraestrutura, mas da capacidade dos ecossistemas de infiltrar, armazenar e regular os fluxos de água. Instituição do Programa Produtor de Água RS, incentivando produtores rurais a adotarem práticas de conservação do solo e da água, promovendo a proteção de nascentes. Reassentar RS: instituir um programa permanente de reassentamento de famílias residentes em áreas sujeitas a enchentes, deslizamentos e outros riscos, promovendo soluções habitacionais seguras e integradas às estratégias de desenvolvimento urbano e adaptação climática. Programa Estadual de Pontes Estratégicas: implantar programa estadual específico voltado à modernização, substituição e ampliação da capacidade estrutural de pontes estaduais estratégicas. Integrar a adaptação climática ao planejamento territorial e às políticas públicas, fortalecendo a capacidade de prevenção, adaptação e resposta aos eventos extremos. Consolidação da implementação do ProClima 2050 e do Plano de Ação Climática, PLAC-RS, como instrumentos estruturantes para orientar as políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas. Marcelo Maranata (PSDB) Marcelo Maranata concorre ao governo do RS pelo PSDB Lu Freitas/Divulgação O plano do tucano trata o enfrentamento a enchentes como políticas estruturantes e transversais. O documento afirma que "a proteção contra enchentes será uma condição indispensável para todas as demais políticas". Promete prioridade técnica imediata na infraestrutura de contenção, especialmente na Região Metropolitana. Também foca em previsibilidade e resposta rápida para evitar perdas humanas. Principais propostas: Tratar a proteção contra cheias como prioridade absoluta do governo. Atualizar imediatamente os estudos e projetos das cinco principais bacias relacionadas à proteção metropolitana. Recuperar diques, comportas, casas de bombas, canais e sistemas de drenagem. Criar uma autoridade técnica de resiliência metropolitana, com governança compartilhada e controle social. Criar planos de contingência para hospitais, escolas, abrigos, estações de energia, saneamento e telecomunicações. Recuperar pontes e acessos críticos com padrões de resiliência. A medida será implementada por programa específico, com órgão responsável, cronograma, fonte de financiamento, recorte territorial e metas anuais Atualizar mapas de risco e cenários climáticos por bacia. A medida será implementada por programa específico, com órgão responsável, cronograma, fonte de financiamento, recorte territorial e metas anuais. Transformar o Plano Rio Grande em política permanente e monitorada. A medida será implementada por programa específico, com órgão responsável, cronograma, fonte de financiamento, recorte territorial e metas anuais. A execução deverá começar por diagnóstico e priorização de riscos, seguida de projetos-piloto quando necessário, expansão progressiva e avaliação independente. Fortalecer e ampliar a estratégia Escolas Resilientes, modernizando a infraestrutura escolar e promovendo adaptação climática. Será realizado mapeamento estrutural e climático de todas as escolas, com prioridade para unidades sujeitas a enchentes, deslizamentos, temporais, estiagens e ondas de calor. Nos primeiros 100 dias, apresentar plano emergencial de reconstrução e prevenção. A medida será implementada por programa específico, com órgão responsável, cronograma, fonte de financiamento, recorte territorial e metas anuais. Eleições 2026 na RBS TV Infográfico detalha números da enchente de 2024 no Rio Grande do Sul Arte/g1 VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/eleicoes/2026/noticia/2026/08/23/o-que-dizem-as-promessas-dos-candidatos-ao-governo-do-rs-para-enfrentar-enchentes.ghtml


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