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MC Meno K: o jovem sobrevivente que foi de 'Camisa do Grêmio' ao topo das paradas no Brasil
27/03/2026
(Foto: Reprodução) MC Meno K domina o Top 3 das paradas musicais
Na lista de hits atuais do Brasil, MC Meno K é uma onipresença. Ele canta em "Posso Até Não Te Dar Flores", "Jetski", "Gauchinha", "Amo Minha Favela"... e neste ano, chegou a ser o nome mais ouvido do Spotify Brasil.
O cantor tem só 19 anos, mas já passou por muito, e está nessa carreira desde que era um pequeno "guri" em Porto Alegre. Ele é um sobrevivente, um autor de hinos não-oficiais de times brasileiros e agora, um hitmaker. Conheça a trajetória de MC Meno K:
Camisa de time
MC Meno K, nome artístico de Kauan Soares, é natural de Porto Alegre. A capital gaúcha já teve uma cena do funk mais movimentada, mas, segundo ele, andava mais quieta e sem muitos recursos.
"Ficou um tempo sem nenhum artista, sem ninguém se mover assim pelo funk de lá. Até por isso tinha muito pouco estúdio lá. A gente canetava ainda no caderno e costumava muito gravar prévia de música, na palma da mão."
MC Meno K é um dos artistas mais ouvidos no Spotify Brasil
Divulgação/WyssBrazil
Isso não impediu Kauan de escrever suas próprias músicas e gravar com seus amigos, batendo palma mesmo. A primeira música que o cantor gravou em estúdio foi "Camisa do Grêmio", em 2021, em homenagem ao time dele. A música pegou entre torcedores, mas ele garante que não foi de caso pensado.
"Não foi estratégia, foi do coração. Na época, tinha bastante música até que o pessoal do Rio fazia pro Flamengo. Aí eu pensei: 'Mano, sou daqui, né? Eu vou botar a camisa do Grêmio'".
Logo de cara, "Camisa do Grêmio" começou a bombar graças aos torcedores, que colocavam a música no status de WhatsApp. O timbre grave do cantor também não fez mal: ao cantar versos explícitos, MC Meno parecia ter pelo menos uns 16 anos à época.
Na verdade, era um "guri" de 13 anos, com o cabelinho na régua e camisa do Grêmio.
O sucesso se expandiu com uma versão para o Flamengo, lançada meses depois. Segundo o gremista Meno, ele tem carinho pelo time carioca e aproveitou para fazer um "hino" para os torcedores.
Deu certo: a faixa tocou nos estádios, inclusive na vitória do time na Libertadores em 2022, e foi abraçada por jogadores como Gabigol e Arrascaeta. Ele conta que, naquele momento, o sucesso fez toda a diferença.
"Eu era bem novo na época, né? Mas desde novo, tipo assim, eu já sempre fui muito da rua. Moro sozinho desde os meus 12 anos. E esses funks me ajudaram muito."
O trauma que 'foi um gás'
Em 2022, MC Meno K passou por um episódio que o marcou profundamente. Segundo ele, em uma noite após um show em uma casa noturna, em Porto Alegre, um fã pediu uma foto. Ao atendê-lo, Meno foi vítima de um atentado.
Ele conta que foi atingido por nove tiros e precisou passar por uma cirurgia para retirada de um projétil.
Com o susto, o cantor podia muito bem ter desistido da carreira -- afinal, foi ao parar pra tirar foto que sofreu o ataque. Mas ele diz que, de alguma forma, tudo isso deu "um gás".
"Eu fiquei, querendo ou não, com muito trauma na mente... O mano fingindo que era meu fã... Foi o que me deu tiro. Mas para mim foi um gás. Assim, eu sobrevivi. Poucos no meu lugar sobreviveram. Eu fiz show depois de um mês, alguns meses de recuperação, já tava fazendo show... Mancando mesmo."
MC Meno K é um dos artistas mais ouvidos no Spotify Brasil
Divulgação/WyssBrazil
Daqui pra frente, é só pra cima
Apesar do sucesso das "Camisas", Meno K diz que ficou "congelado, parado na geladeira" por uns três ou quatro anos. "Fiquei sem estourar muita música e parei de fazer muito show", conta.
A virada mesmo veio em 2025 com "Famosinha", parceria com DJ Caio Veira e MC Rodrigo do CN. A faixa chegou ao top 1 do Spotify Brasil e, claro, colocou o artista de volta no radar.
Também não fez mal entrar para a Bololô Records, produtora liderada por ninguém menos que MC Ryan SP. Com ele, Meno também cantou em “Posso Até Não Te Dar Flores”, do DJ Japa NK, que também inclui MC Jacaré e DJ Davi Dog Dog.
Essa, realmente, é um sucesso à parte: “Posso Até Não Te Dar Flores” chegou a entrar entre as oito músicas mais ouvidas no Spotify global. Aliás, a música só saiu do topo das paradas brasileiras em fevereiro, quando perdeu para "Jetski", de Pedro Sampaio, Melody e... MC Meno K.
Meno já conhecia Pedro Sampaio e, quando o DJ veio com a ideia de uma nova música, o cantor logo se interessou. Com uma batida empolgante e a voz de Melody, "Jetski" o apresentou a outros públicos, consolidando de vez o sucesso do artista.
"'Jetski' é pop, e ajudou muito também a ir para esse esse tipo de nível. Quando lançou, eu pensava 'é hit' por causa da parte da Melody. Mas eu vi que, mano, o pessoal abraçou muito minha parte também. Saiu do nicho... Saiu de um estilo só."
Depois disso, o cantor adianta que vêm aí colaborações com Dennis, Luísa Sonza, Ludmilla... E a lista segue. "Tem muita coisa ainda para sair, tá ligado? Muita coisa braba mesmo para sair ainda em 2026. A gente pode estar lá em cima no topo, no gás, a gente não para, mano."