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Mais mulheres denunciam ginecologista por abuso sexual em São João de Meriti
04/06/2026
(Foto: Reprodução) Mais mulheres denunciam ginecologista por abuso sexual em São João de Meriti
Após a exibição de uma reportagem do RJ1, mais 2 mulheres procuraram a polícia para denunciar o ginecologista Carlos Alfredo Mendes de Oliveira, de 71 anos, por abuso sexual em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
Com os novos registros, já são 7 vítimas que formalizaram queixa contra o médico, investigado por condutas inadequadas durante atendimentos.
Uma das pacientes, de 35 anos, contou que era acompanhada pelo profissional havia mais de cinco anos e buscou atendimento em julho de 2022 por causa de dores relacionadas à endometriose. Segundo ela, a consulta começou de forma diferente do habitual — sem a presença de uma assistente durante o exame —, o que a deixou desconfiada.
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Mulher diz que foi vítima de abuso sexual por parte de ginecologista
Reprodução/TV Globo
Durante o atendimento, a paciente relata que o médico realizou toques que considera incompatíveis com o procedimento.
“Em determinado momento, ele passou a mão pelo lado de fora da minha vagina. Eu me travei, e ele começou a fazer carinho na minha coxa, dizendo para eu relaxar”, afirmou.
Na época, a mulher disse não ter questionado a atitude do médico por causa da confiança construída ao longo de anos de acompanhamento. “Ele era o médico da família, acompanhava minha irmã. Eu não sabia se estava vendo coisa demais ou imaginando”, disse.
O relato só ganhou outro peso anos depois, quando a paciente assistiu à reportagem com denúncias semelhantes. Incentivada pela mãe, ela decidiu procurar a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam). “Quando ouvi as outras histórias, parecia exatamente o que eu tinha vivido. Isso validou o que eu senti”, contou.
Pontos em comum
O ginecologista Carlos Alfredo Mendes de Oliveira é investigado por violação sexual mediante fraude
Reprodução/TV Globo
Outra mulher também registrou denúncia no mesmo dia. Segundo a Polícia Civil, os depoimentos das vítimas têm pontos em comum e descrevem comportamentos considerados inadequados para consultas ginecológicas.
Apesar da gravidade das acusações, o médico responde ao processo em liberdade e está proibido de exercer a medicina por decisão judicial.
No entanto, a equipe de reportagem constatou que o telefone utilizado para marcar consultas continua ativo e que o nome dele ainda aparece na lista de profissionais em um prédio onde atendia, em São João de Meriti. O porteiro confirmou que ele segue realizando atendimentos.
O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) informou que o caso corre em sigilo, mas que vai apurar possíveis descumprimentos da suspensão.
Vanessa Martins, delegada responsável pelo caso, reforçou o pedido para que outras possíveis vítimas procurem a polícia.
Para a paciente que decidiu denunciar anos depois, o objetivo agora é evitar que outros casos aconteçam. “Se eu tivesse falado antes, talvez não tivesse acontecido com outras mulheres. Eu quero que ele responda pelo que fez”, afirmou.
Médico é investigado após pacientes relatarem abusos sexuais durante atendimentos ginecológicos
Reprodução/TV Globo
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A TV Globo não conseguiu contato com o médico Carlos Alfredo Mendes de Oliveira.
Em relação à denúncia de que ele estaria realizando atendimentos mesmo após decisão judicial que o proíbe de exercer a medicina, o Cremerj informou que a fiscalização do exercício ético da profissão segue um calendário institucional e também ocorre a partir de demandas do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Justiça.
O conselho acrescentou que, caso a irregularidade seja confirmada, a apuração e abordagem cabem às autoridades policiais.