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Latrocínios e feminicídios aumentam no Amazonas apesar da queda nos homicídios em 2026
01/06/2026
(Foto: Reprodução) Latrocínios e feminicídios aumentam no Amazonas, segundo dados da SSP-AM
Os casos de latrocínio e feminicídio aumentaram no Amazonas nos primeiros quatro meses de 2026, apesar da redução no número de homicídios registrados no estado. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) apontam que os latrocínios dobraram em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto os feminicídios tiveram alta de 166,6%.
Segundo o levantamento, o Amazonas registrou 208 homicídios entre janeiro e abril deste ano, contra 217 ocorrências no mesmo período de 2025, o que representa uma redução de 4,1%.
Em contrapartida, os casos de latrocínio passaram de cinco para dez registros no período. Já os feminicídios aumentaram de três para oito ocorrências, crescimento de 166,6%.
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Os dados mostram ainda que Manaus concentra a maior parte das mortes violentas registradas no estado. Dos 232 casos contabilizados até abril, 109 ocorreram na capital. Na sequência aparecem:
Tabatinga, com 13 ocorrências;
Coari, com 9 ocorrências;
Manacapuru, com 8 ocorrências;
Autazes, com 7 ocorrências;
e Itacoatiara, com 6 ocorrências.
Os dados englobam homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte, feminicídios e mortes decorrentes de tortura.
Perfil das ocorrências
Segundo a SSP-AM, a maior parte das mortes violentas foi cometida com arma de fogo, responsável por 94 casos. Em seguida aparecem os crimes praticados com arma branca e as agressões físicas. Veja o gráfico abaixo:
O levantamento aponta ainda que pessoas entre 35 e 64 anos representam 40% das vítimas registradas no período.
Impactos na sensação de segurança
Para a especialista em segurança pública Cecília Olliveira, o avanço dos crimes violentos impacta diretamente a sensação de segurança da população e a confiança nas instituições responsáveis pela proteção dos cidadãos.
O sociólogo Lúcio Carril avalia que o enfrentamento da violência exige investimentos em inteligência policial e ações voltadas para a redução de problemas sociais, como pobreza e desemprego.
Nas ruas, moradores relatam mudanças na rotina por causa do medo da criminalidade. A professora Diana Cunha afirma que precisou reforçar os cuidados ao se deslocar pela cidade.
Jovem morto em abordagem
O cenário da violência no estado ganhou destaque diante de casos que repercutiram nos últimos meses, como a morte do entregador Carlos André Almeida Cardoso, de 19 anos, ocorrida após uma abordagem policial em Manaus.
No quarto onde o jovem vivia, a mãe, Elaine Almeida, guarda lembranças marcadas pela saudade e pela dor da perda repentina do filho.
Carlos André era pai e trabalhava como entregador. A vida dele foi interrompida na madrugada de 19 de abril, após sair de uma festa de aniversário. Segundo familiares, o jovem saiu de motocicleta para comprar bebidas quando foi abordado por policiais militares.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que Carlos André foi cercado e agredido por agentes. Outro vídeo, gravado pela câmera instalada na viatura envolvida na ocorrência, mostra um policial efetuando disparos pela janela do veículo.
Inicialmente, familiares relataram que receberam a informação de que o jovem teria sido vítima de um acidente de trânsito. No entanto, um laudo do Instituto de Criminalística, divulgado na semana passada, concluiu que não houve colisão entre a motocicleta conduzida por Carlos André e a viatura da Polícia Militar.
Até o momento, apenas o sargento da PM Belmiro Wellington Costa Xavier foi indiciado por homicídio no caso.
A mãe do jovem afirma que continua aguardando por justiça.
Para familiares de vítimas, casos como o de Carlos André reforçam a sensação de insegurança e a necessidade de responsabilização dos envolvidos.
Elaine Almeida pede Justiça pela morte do filho em Manaus.
José Lima/Rede Amazônica