Mega Fm Ata (Araçatuba-Sp) Whatsaap: 18 98119-2663
Jogadora da seleção feminina do Irã muda de ideia sobre asilo na Austrália e decide voltar ao país
11/03/2026
(Foto: Reprodução) Jogadoras da seleção iraniana chegam em aeroporto na Malásia.
Hasnoor Hussain/Reuters
A polícia australiana ajudou mais duas integrantes da delegação da seleção feminina de futebol do Irã a pedir asilo no país. No entanto, uma das meninas voltou atrás e resolveu retornar ao país do Oriente Médio, segundo informou nesta quarta-feira (11) o ministro do Interior da Austrália.
A preocupação com a segurança das atletas ao voltarem para casa aumentou depois que a televisão estatal iraniana chamou o time de “traidores em tempos de guerra”. A crítica ocorreu após as jogadoras se recusarem a cantar o hino nacional durante uma partida da Copa da Ásia feminina realizada na Austrália no início do mês.
O ministro Tony Burke anunciou no Parlamento que a atacante Mohaddeseh Zolfi, de 21 anos, e a integrante da equipe de apoio Zahra Soltan Moshkehkar aceitaram na noite de terça-feira (10) a oferta do governo australiano de ajuda para permanecer no país. Um dia antes, outras cinco jogadoras já haviam recebido asilo.
Mas uma das duas pessoas que inicialmente decidiu ficar na Austrália mudou de ideia após conversar com colegas que haviam deixado o país, disse Burke. O ministro não especificou quem tomou a decisão de retornar ao Irã.
“Na Austrália, as pessoas podem mudar de ideia e podem viajar. Respeitamos o contexto em que ela tomou essa decisão”, afirmou.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Segundo Burke, o restante das jogadoras foi levado a um local seguro depois que a integrante que voltou atrás entrou em contato com a embaixada do Irã e revelou onde o grupo estava.
Zolfi e Moshkehkar haviam sido separadas do restante da delegação com a ajuda da Polícia Federal Australiana antes de embarcarem em um voo doméstico para Sydney.
Antes de deixarem o país, autoridades australianas também separaram o restante do time de seus acompanhantes iranianos no aeroporto de Sydney e informaram às atletas quais eram suas opções. Todas as que chegaram ao aeroporto decidiram voltar ao Irã.
“Garantimos que não houve pressa nem pressão. Tudo foi feito para assegurar que essas pessoas pudessem tomar uma decisão com dignidade”, disse Burke durante entrevista coletiva em Canberra.
Jogadoras do Irã prestam continência durante o hino nacional antes da partida de futebol feminino da Copa da Ásia entre Irã e Filipinas em Robina, Austrália, domingo, 8 de março de 2026.
Dave Hunt/AAP Image via AP
Temor por familiares
Burke afirmou que algumas jogadoras perguntaram sobre a possibilidade de ajudar familiares a deixar o Irã.
“Quando alguém se torna residente permanente, existem direitos para patrocinar a vinda de familiares. Mas isso só se torna relevante se essas pessoas conseguirem sair do Irã primeiro”, disse.
Algumas atletas discutiram a oferta com familiares, mas decidiram não permanecer na Austrália. A equipe já chegou a Kuala Lumpur, na Malásia, durante o trajeto de volta ao Irã.
A Confederação Asiática de Futebol confirmou a chegada da delegação e informou que as jogadoras estão hospedadas em um hotel na capital malaia, sem dar mais detalhes.
“A AFC fornecerá todo o apoio necessário à equipe durante a estadia até que os próximos arranjos de viagem sejam confirmados”, disse um porta-voz da entidade em comunicado.
A embaixada do Irã em Kuala Lumpur afirmou à agência estatal malaia Bernama que as jogadoras estão bem e “querem voltar para casa”.
Jogadoras de futebol do Irã que pediram asilo à Austrália comemoram assinatura de vistos humanitários
X / Reprodução
A participação da seleção iraniana no torneio começou no momento em que Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã, que mataram o líder supremo da República Islâmica, aiatolá Ali Khamenei. A equipe foi eliminada da competição no domingo.
Um grupo de iranianos que vivem na Austrália realizou protestos contra o governo do Irã e cercou o ônibus das jogadoras na cidade de Gold Coast quando elas deixaram o hotel rumo ao aeroporto.
Manifestantes também estiveram no aeroporto de Sydney na noite de terça-feira (10), quando a delegação era transferida para o terminal internacional, segundo imagens exibidas pela televisão.
O gabinete do procurador-geral do Irã afirmou na terça-feira que os membros restantes da equipe foram convidados a voltar ao país “com paz e confiança”, de acordo com a imprensa iraniana.