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'Eu sei onde você mora, vou matar você e seus pais se você não mandar foto': mãe de menina aliciada descreve ameaças no Roblox
11/02/2026
(Foto: Reprodução) 'Eu sei onde você mora': mãe de menina aliciada descreve ameaças no Roblox
Uma menina de 11 anos, de Curitiba, e outra de 12 anos, da região metropolitana de Porto Alegre, foram alvo de aliciamento e ameaças após conhecerem agressores dentro do Roblox, plataforma de jogos online usada diariamente por milhões de crianças e adolescentes. Os casos, revelados em investigação policial, mostram como criminosos têm utilizado o ambiente virtual para ganhar a confiança das vítimas e migrar para conversas privadas, onde passam a exigir fotos íntimas sob ameaça. Saiba mais no vídeo acima e no texto abaixo.
Ameaças explícitas e rotina de medo
A mãe da menina de Curitiba relatou que as mensagens enviadas à filha incluíam ameaças diretas de morte caso ela não enviasse imagens íntimas. Segundo ela, o agressor dizia:
“Eu sei onde você mora, vou matar você, vou matar seus pais, vou te sequestrar.”
A menina, de 11 anos, havia começado a jogar em um ambiente que a própria família considerava seguro por envolver colegas da escola. Quando os pais tiveram acesso ao celular, encontraram vídeos pornográficos enviados pelo agressor e registros de chantagem que vinham ocorrendo há meses.
"Começou assim, se você não mandar tal foto. Ah, porque tal então crianças já mandaram. Aí mandava foto de crianças nuas. 'Tem pessoas que pedem vídeo e vão cobrar esse vídeo de mim'".
Mesmo após bloquear o agressor, a menina voltou a ser procurada dentro da plataforma.
“Ele dizia que, se ela não desbloqueasse, seria pior”, contou a mãe.
A criança também era instruída pelo agressor a burlar o controle parental, com orientações específicas sobre como acessar conversas sem que os responsáveis percebessem. O caso é investigado pelo Núcleo de Combate aos Crimes na Internet do Paraná.
"Me deu um desespero como mãe. Foi um estupro de vulnerável de uma forma realmente online".
Menina de Porto Alegre teve fotos expostas para família e escola
Outro caso investigado ocorreu com uma menina de 12 anos de Porto Alegre. Ela conheceu um usuário anônimo em um jogo popular da plataforma e iniciou com ele um relacionamento virtual. As conversas evoluíram para a troca de fotos e, depois, para chantagem. As imagens íntimas da menina foram divulgadas para familiares, colegas e moradores da cidade.
"Houve ameaças que se concretizaram. Para mim foi horrível, horrível. Uma crise de choro", diz a madrasta da vítima.
Segundo o pai, o comportamento da filha mudou antes da descoberta: a garota se isolou, escondia o celular e apresentava sinais de sofrimento emocional. Em determinado momento, ela chegou a se mutilar, o que levou o responsável a acessar o aparelho e encontrar mensagens com ofensas e ameaças reiteradas.
"Ela transformou o celular dela em um equipamento de um sigilo absoluto. Aí ela começou a me falar algumas pouquíssimas coisas, me empurrando muito para aquela ideia de um namorico, sabe? O momento crucial da situação, assim, foi um dia que ela entrou para dentro do banheiro e estava se mutilando".
O agressor, um adolescente de 16 anos, vivia em Ribeirão Preto (SP), a mais de mil quilômetros de distância. O celular dele continha registros de violência extrema, apologia ao nazismo e participação em grupos de pedofilia que atuavam dentro do Roblox para recrutar meninas de 10 a 12 anos. Durante a análise do material, outra vítima, de 10 anos, foi identificada.
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Ambiente inseguro e denúncias recorrentes
Autoridades afirmam que jogos criados por usuários dentro do Roblox podem expor menores a conteúdos impróprios, incluindo sexualização, simulações de ataques violentos e apologia a crimes. A Polícia Civil de São Paulo relata que 90% das vítimas de crimes sexuais contra menores em ambiente digital atendidas pelo setor especializado foram inicialmente contatadas no Roblox. Em muitos casos, os criminosos iniciam conversas em jogos simples e depois transferem as vítimas para aplicativos de mensagem, onde as ameaças se intensificam.
Resposta da plataforma
Em nota enviada ao Fantástico, o Roblox afirmou adotar medidas de segurança que incluem restrições de idade para uso do chat, monitoramento das interações e ferramentas de denúncia. A plataforma diz proibir conteúdos ilegais, como sexualização, apologia a facções e recriações de eventos violentos, e afirma utilizar sistemas automatizados e verificações humanas para detectar violações. Também declara que as conversas não são criptografadas, o que permite fiscalização direta.
Orientações de especialistas
Especialistas em segurança digital afirmam que a supervisão presencial é a principal forma de prevenção. A orientação é que pais e responsáveis acompanhem o uso de dispositivos, conheçam os jogos utilizados, salvem capturas de tela em caso de ameaça e procurem imediatamente a polícia. O Estatuto da Criança e do Adolescente Digital, que passa a valer em março, exigirá medidas mais rígidas de proteção por parte de plataformas que atuam no país.
Roblox
Reprodução
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
Roblox: o que pais precisam saber sobre a segurança das crianças
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