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Entenda como acordo UE-Mercosul impacta agroindustrialização em MT
21/01/2026
(Foto: Reprodução) Entenda como acordo UE-Mercosul impacta agroindustrialização em MT
TV Centro América
O acordo comercial entre União Europeia e o Mercosul, após mais de 25 anos de negociações, deve abrir uma nova fase de crescimento ao agronegócio e, principalmente, para a agroindústria em Mato Grosso, segundo levantamento exclusivo obtido pelo g1.
A zona de livre comércio que se abre no cenário internacional traz uma redução tarifária, acesso ampliado aos mercados, novas tecnologias europeias e estímulo à agroindustrialização do estado.
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Um levantamento feito pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), com base em dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), mostra que o novo acordo vai derrubar barreiras tarifárias que, hoje, punem os produtos processados.
"O tratado reposiciona o estado não apenas como grande fornecedor de commodities, mas como protagonista de cadeias produtivas com maior valor agregado", destaca a Famato, no estudo.
Para se ter uma ideia, a União Europeia era o destino de 69,6% das exportações mato-grossenses em 1997, cerca de US$ 645 milhões. Em 2025, embora o valor absoluto tenha saltado quase cinco vezes, para US$ 3,09 bilhões, a fatia europeia ficou estável entre 10% e 16%, ficando em segundo lugar como destino das exportações, atrás apenas da China.
A Famato avalia que os benefícios não virão apenas das exportações com tarifas reduzidas. "Mas, também, da possibilidade de importar equipamentos e insumos com menor custo, elevando a eficiência produtiva, uma combinação rara de abertura comercial e incentivo à competitividade estrutural", disse.
Novas oportunidades
Líderes assinam acordo histórico entre União Europeia e Mercosul
Carne bovina
A União Europeia é apenas o 5º maior comprador de carne bovina do estado, com um total de US$ 226 milhões. O volume é baixo comparado à China. Isso ocorre porque o mercado europeu é protegido por altas tarifas e regras ambientais mais rígidas.
Vale destacar que o estado bateu o próprio recorde, pelo segundo ano consecutivo em 2025, ao contabilizar mais de sete milhões de abates bovinos.
O acordo com a UE prevê uma cota de 99.000 toneladas de carne bovina para o Mercosul com tarifa reduzida em torno de 7,5%. Para a Famato, vender para a Europa atualmente é custoso.
"Com a tarifa caindo de níveis proibitivos para 7,5% dentro da cota, a carne de MT torna-se extremamente competitiva frente à carne australiana ou americana na Europa", disse.
Diante da abertura da zona de livre comércio, a entidade espera de dobrar o valor exportado sem necessariamente dobrar o número de cabeças abatidas, focando em cortes premium.
Soja e milho
A União Europeia compra US$ 1,26 bilhão em soja e US$ 446 milhões em milho. A Espanha é o maior cliente, como processadora de ração. Isso coloca a UE como segunda maior compradora de soja de Mato Grosso, ficando atrás apenas da China (veja mais detalhes abaixo).
Em relação ao milho, a UE é o terceiro maior comprador do estado, atrás do Egito e Irã. No total, são US$ 446 milhões e a Famato destaca que apenas a Espanha compra sozinha quase a metade desse volume, cerca de US$ 204 milhões, o que reforça seu papel como grande processadora de ração animal da Europa.
Com o acordo, as tarifas devem ser zeradas para óleos e biocombustíveis. Atualmente, a Europa cobra tarifas baixas para o grão bruto (para alimentar a indústria deles), mas cobra tarifas altas para o óleo de soja e farelo (para proteger as esmagadoras deles).
Segundo a Famato, a expectativa é que, quando o acordo entrar em vigor, os produtores matogrossenses podem deixar de enviar apenas a matéria-prima para a Espanha esmagar e passar a exportar o óleo ou o farelo já processados no estado. Com isso, os recursos tendem a girar a economia do estado, valorizando a agroindústria que avança ano após ano, seja no setor de etanol de milho e esmagamento de soja.
Importações
O levantamento da Famato também aponta uma redução do custo de produção, o que seria uma oportunidade inversa. As importações europeias que chegam ao estado são apenas 3%, sendo US$ 80 milhões em 2025.
A União Europeia é líder mundial em máquinas de precisão, robótica agrícola e química fina. O acordo elimina tarifas de importação para esses bens de capital, segundo a Famato.
Diante disso, com o acordo, o produtor matogrossense passa a ter mais acesso a tratores de alta tecnologia, sistemas de irrigação e defensivos europeus que devem ficar mais baratos porque estará livre de imposto de importação.
"Isso reduz o custo operacional das fazendas no estado, aumentando a competitividade global da soja e do milho, inclusive para vender para a China", explica a Famato, no documento.
Selo de qualidade
O acordo Mercosul-UE funciona como um "selo de garantia". Se o acordo for ratificado, ele cria canais institucionais para validar o cumprimento ambiental.
Neste quesito, o estado cumpre um dos maiores rigores no Cadastro Ambiental Rural (CAR), além de monitoramento por satélite e até no rastreio dos animais, que vai desde o nascimento até o abate.
Ao exportar para a União Europeia sob o acordo vira um "passaporte" de sustentabilidade que valoriza o produto também em outros mercados exigentes, como Japão.
Algodão e frutas
A Famato explica que apesar do algodão bruto ir para a Ásia, o acordo com a UE-Mercosul pode favorecer a entrada de têxteis brasileiros ou frutas tropicais, como pulses e gergelim que são culturas de segunda safra em Mato Grosso). Isso tende a diversificar a pauta exportadora além da tradicional soja, milho e boi, conforme a Famato.
Acordo UE-Mercosul
O acordo foi assinado pelos dois blocos no último sábado (17), no Paraguai. Contudo, nesta quarta-feira (21) o Parlamento Europeu aprovou o envio dos termos do tratado para a Justiça, o que tende a atrasar a entrada em vigor.
Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul.
Arte/g1
Com mais de 700 milhões de consumidores, o tratado cria a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo os 27 Estados-membros da UE, além de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O acordo também elimina tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral.
Essas negociações duraram mais de 25 anos e ainda levantam críticas. A França, por exemplo, se opõe ao acordo porque os produtores franceses têm medo da concorrência dos produtos sul-americanos, por serem mais baratos. A Polônia, Irlanda e Áustria também são contrárias ao acordo.
Por outro lado, os países favoráveis, como Alemanha e Espanha, veem no tratado uma chance para aumentar as exportações e reduzir a dependência da China e, também, dos EUA, uma vez que o presidente americano Donald Trump desponta instabilidade no cenário geopolítico.