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Em ano eleitoral, distritais criam grupo para defender CACs e incentivar tiro esportivo no DF
02/03/2026
(Foto: Reprodução) Aumenta o número de crimes cometidos por CACs
A Câmara Legislativa do Distrito Federal lançou, na última semana, uma frente parlamentar para defesa dos caçadores, atiradores e colecionadores de armas de fogo (CACs).
O grupo será presidido pelo autor da proposta, deputado Roosevelt Vilela (PL), e reúne outros sete parlamentares de partidos de direita. Segundo a frente, os objetivos são defender os direitos dos CACs e propor políticas públicas voltadas ao fomento do tiro esportivo.
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Para o especialista do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Cássio Rosa, a frente não é necessária e está ligada a interesses neste ano eleitoral (veja detalhes mais abaixo).
O grupo ainda surge num contexto de aumento no número de crimes cometidos pela categoria. Em cinco anos, houve um crescimento de mais de 1000% nas ocorrências.
O g1 entrou em contato com o presidente da Casa, deputado Wellington Luiz (MDB) — responsável por aprovar as frentes parlamentares. Até a publicação da reportagem, ele não comentou sobre a criação do grupo.
A criação da Frente
🔎 Segundo o regimento interno da Câmara Legislativa, uma Frente Parlamentar é uma organização suprapartidária composta por pelo menos 1/3 dos deputados. Seu objetivo é melhorar a legislação sobre determinado tema ou discutir demandas específicas.
🔎 Ainda segundo o regimento, para criar uma Frente é necessário apresentar a proposta através de um requerimento. Elas são criadas quando o presidente da Câmara Legislativa envia esses requerimentos para publicação no Diário da Câmara.
O requerimento que propõe a criação da Frente de defesa dos CACs foi apresentado pelo deputado Roosevelt Vilela (PL) em 9 de junho de 2025.
O processo para criação da Frente foi concluído em 9 de novembro. Em uma sessão solene na noite desta quinta-feira (26), o grupo foi lançado.
Segundo o estatuto, a finalidade do grupo será:
defender e promover os direitos e garantias legais dos CACs perante os órgãos federais e distritais;
acompanhar e propor políticas públicas voltadas ao fomento do tiro esportivo, colecionismo e atividades autorizadas;
atuar junto aos órgãos de segurança pública e à sociedade para esclarecer a natureza lícita, controlada e responsável das atividades desempenhadas pelos CACs;
fomentar o diálogo com representantes de clubes de tiro, entidades de colecionadores, instrutores e associações;
colaborar com debates legislativos, audiências públicas e ações voltadas ao aprimoramento da legislação aplicável aos CACs.
🔎 Ao g1, a Câmara Legislativa disse, na manhã desta sexta-feira (27), que no ano de 2025 foram registradas 10 novas frentes parlamentares na Casa.
🔎 A Casa também disse que as frentes não possuem dotação orçamentária própria, nem estrutura administrativa específica ou cargos vinculados exclusivamente à sua manutenção. "
🔎 Assim, não há custo individualizado ou específico por frente parlamentar. Eventuais atividades desenvolvidas no âmbito das frentes utilizam a estrutura administrativa já existente da Casa, sem despesa adicional", disse.
Quem compõe a Frente de Defesa dos CACs
Veja quem compõe a Frente Parlamentar de Defesa dos CACs na CLDF
montagem/g1
Além de Roosevelt Vilela, outros sete parlamentares integram o grupo. Veja quem são, segundo a CLDF:
Eduardo Pedrosa (União Brasil), empresário;
Iolando Almeida (MDB), militar da reserva;
Joaquim Roriz Neto (PL), cientista político, filho e neto de políticos tradicionais do DF;
Pastor Daniel de Castro (PP), advogado e pastor da Assembleia de Deus;
Roosevelt Vilela (PL), subtenente veterano do Corpo de Bombeiros;
Rogério Morro da Cruz (PRD), foi porteiro, vigilante e supervisor;
Thiago Manzoni (PL), advogado;
Wellington Luiz (MDB), servidor público aposentado.
De acordo com o estatuto apresentado, a Frente contará com:
um Comitê Estratégico, com especialistas e profissionais das áreas de segurança;
Grupos de Trabalho com colecionadores, atiradores, instituições, profissionais da segurança, representantes de instituições e organizações;
uma Coordenação Executiva, responsável pela interlocução com os Grupos de Trabalho e o Comitê Estratégico, subordinada ao Presidente do Conselho Executivo da Frente.
Iniciativa em ano eleitoral
Cássio Rosa avalia que não considera a frente necessária e que sua criação foi motivada pelo ano eleitoral.
"Como os CACs são relativamente numerosos, eu acredito que o que está por trás dessa iniciativa está muito relacionada ao fato de nós estarmos em um ano eleitoral, e alguns parlamentares podem se sentir tentados a propor esse tipo de iniciativa", diz Cássio.
Cássio lembrou que o tema de defesa dos CACs já é discutido no Congresso Nacional. Além disso, ele avalia que as leis que podem ser propostas pela frente serão inconstitucionais, já que o assunto é de responsabilidade do Poder Executivo e do Legislativo Federal.
"Se eu pudesse resumir o que é esse requerimento e essa iniciativa, eu simplesmente diria que essa iniciativa é lamentável", diz Cássio Rosa.
Aumento de crimes por CACs
Imagem ilustrativa de arma de fogo
Pixabay
A criação do grupo acontece num contexto de aumento no número de crimes cometidos pela categoria. Entre 2019 e 2023, houve um crescimento de mais de 1000%.
Apenas em 2023, foram 138 ocorrências de porte e posse de armas, 82 de ameaças e 89 crimes contra mulheres.
Já em 2025, o g1 também registrou ocorrências envolvendo CACs:
um CAC com passagem por violência doméstica morreu em uma troca de tiros com policiais, em julho;
em julho, a Polícia Civil apreendeu um arsenal durante uma operação contra CACs com registros cassados;
um CAC acabou disparando contra a própria esposa durante o manuseio de uma arma, em setembro;
em novembro, um CAC foi preso por venda ilegal de armas e outro foi denunciado por usar armas de um arsenal para ameaçar moradores da capital.
Sobre os dados, Cássio Rosa diz que muitas pessoas aproveitam da legislação sobre os CACs para "simplesmente terem o acesso a armas de fogo, desrespeitando as regras impostas".
Ele explica que a categoria deve ter uma representação que busque sua valorização, "ao invés de, indiscriminadamente, permitir o acesso a qualquer pessoa que não tem preparo".
"É preciso, por exemplo, que a gente tenha regras rigorosas realmente, mas que sejam exercidas efetivamente. Por exemplo, o próprio exame psicológico tem que ser feito de uma forma muito séria, para saber se a pessoa tem condição de usar arma. Então, eu eu acho que que a preocupação do Legislativo de deveria ser outra", diz Cássio.
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