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Eleições 2026 têm 406 candidatos que se declaram LGBTQIA+
18/08/2026
(Foto: Reprodução) Bandeira LGBT
JL Rosa/SVM
As eleições de 2026 têm 406 candidatos que se autodeclararam LGBTQIA+. O número representa 2% do total dos concorrentes (20.575). Essas são as primeiras eleições gerais em que a Justiça pergunta essa informação no registro de candidaturas. As informações são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Dos candidatos registrados, 11.334 declararam a orientação sexual. Outros 9.241 (45%) não informaram. 10.928 (96,4%) se identificaram como heterossexuais. O 1º turno da eleição será em 4 de outubro e o 2º, se necessário, em 25 de outubro.
Um estudo publicado pela USP e pela Unesco, com base nos dados do IBGE, publicado em 2023, estima que 12% da população brasileira se identifica como LGBTQIA+.
Apesar da distância em relação à proporção estimada na população brasileira, lideranças LGBT+ avaliam o resultado de 2026 como um avanço. Para Gui Mohallem, presidente da organização Vote LGBT, a inclusão desse dado no registro eleitoral e o percentual alcançado já são motivos de comemoração.
“Em 2014, quando começamos a monitorar essas candidaturas, a gente contava nos dedos a quantidade de LGBTs. Se declarar era considerado suicídio político. Doze anos depois, conseguir identificar centenas de pessoas assumindo oficialmente suas identidades ao TSE é um avanço que precisamos comemorar”, diz.
🌈A sigla LGBTQIA+ é usada para representar diferentes orientações sexuais e identidades de gênero, como lésbicas, gays, bissexuais, pessoas trans, queer, intersexo e assexuais, entre outras.
A distribuição dos candidatos de acordo com a orientação sexual é a seguinte:
Candidatos fazer declaração de orientação sexual pela primeira vez em uma eleição geral
arte g1
O registro no TSE, porém, não garante que o candidato estará apto a disputar a eleição. A Justiça Eleitoral ainda analisa se cada nome cumpre os requisitos legais, e os pedidos podem ser contestados e gerar recursos.
Pelo calendário eleitoral, os registros devem ser julgados até 14 de setembro, 20 dias antes do primeiro turno, embora eventuais disputas judiciais possam continuar depois desse prazo.
Os dados dessa reportagem foram extraídos do sistema do TSE na manhã de 18 de agosto.
PT e PSOL concentram candidaturas LGBT+
O cruzamento dos dados de orientação sexual com os partidos mostra uma concentração maior de candidaturas LGBT+ em siglas de esquerda. PT e PSOL se destacam nos números absolutos, embora a liderança varie de acordo com a orientação sexual declarada.
Considerando apenas candidatos que se declararam gays ou lésbicas, o PT reúne o maior número, com 40 candidaturas — 21 gays e 19 lésbicas. O PSOL aparece logo atrás, com 39 — 32 gays e sete lésbicas. Na sequência estão PDT, com 23, e PSB, com 21.
O PSOL lidera isoladamente entre os candidatos gays: são 32 dos 134 registrados nessa categoria, ou 23,88%. Já entre as lésbicas, a maior concentração está no PT, com 19 das 86 candidatas, o equivalente a 22,09%.
Entre os bissexuais, o PSOL também aparece na primeira posição e com uma concentração ainda maior. Dos 150 candidatos que declararam essa orientação sexual, 51 são do partido, o equivalente a 34%. O PT aparece em segundo, com 27 (18%), seguido por UP, com 20 (13,33%), e PDT, com 13 (8,67%).
Partidos geralmente identificados com a direita ou centro-direita também registram candidaturas LGBT+, mas em números menores. O MDB soma 15 candidaturas entre bissexuais, gays e lésbicas; o Avante, 11; e o PSD, oito. O Novo tem seis candidaturas distribuídas entre assexuais, bissexuais, gays e lésbicas, enquanto Republicanos também soma seis. O PL registra cinco — quatro gays e uma lésbica.
Divisão por cargos
O cruzamento dos dados de orientação sexual com o cargo disputado mostra que as candidaturas de pessoas que se declararam gays ou bissexuais estão concentradas principalmente nas disputas para deputado estadual e federal.
Entre os 150 candidatos que se declararam bissexuais, 73 concorrem ao cargo de deputado estadual, o equivalente a 48,67% desse grupo. Outros 59 disputam uma vaga de deputado federal (39,33%). Há ainda seis candidatos a deputado distrital, cinco a vice-governador, quatro a governador, dois a primeiro suplente de senador e um a vice-presidente.
O cenário é semelhante entre os 134 candidatos que se declararam gays. Mais da metade, 77, concorre a deputado estadual (57,46%), enquanto 47 disputam uma vaga na Câmara dos Deputados (35,07%). Juntos, os candidatos a deputado estadual e federal representam 92,53% das candidaturas de gays registradas nesse levantamento.
Entre os gays, há ainda sete candidatos a deputado distrital, um a senador, um a primeiro suplente e um a segundo suplente. Já entre os dez candidatos que se declararam assexuais, cinco concorrem a deputado estadual e cinco a deputado federal — 50% para cada cargo.
Anos anteriores
Segundo levantamento da organização Vote LGBT, 233 candidatos LGBTQIA+ foram eleitos nas eleições municipais de 2024. O número representou um aumento de 100% em relação aos pleitos de 2020 e 2022.
Como mostrou o g1, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consolidou os dados estatísticos que compõem o perfil das candidaturas para as eleições de 2026. O prazo para registro dos candidatos terminou na noite de sábado (15).
Os números mostram a predominância de um perfil demográfico específico entre os postulantes aos cargos eletivos: masculino, branco, casado e com ensino superior.
A composição por gênero mostra que 65% dos candidatos são homens, enquanto as mulheres representam 35% do total de inscritos.