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Cultivo e pesquisa da cannabis: novas regras trazem esperança para pacientes do DF
07/03/2026
(Foto: Reprodução) Regras para cultivo e pesquisa de cannabis medicinal no Brasil começam a valer no dia 4 de agosto
Jornal Nacional/ Reprodução
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou, no início deste mês, resoluções que detalham como vai funcionar o cultivo de cannabis no Brasil.
As regras entram em vigor em agosto, quando começa também um "sandbox experimental", período de cinco anos no qual a Anvisa vai testar atividades relacionadas à cannabis fora do modelo industrial tradicional e em pequena escala.
Além de impulsionarem pesquisas científicas, as mudanças trazem esperança e expectativas positivas para pacientes que utilizam produtos à base da planta no DF para tratamentos de transtornos mentais e de síndromes raras.
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Expectativas de quem usa
A autônoma Marta Francisca de Lima, de 57 anos, começou a utilizar o óleo à base de cannabis em 2022, junto com o filho, Rafael Muniz, de 40 anos.
Inicialmente, Marta buscava tratamento para o filho, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), depressão e ansiedade.
“Foram muitos anos de sofrimento. A gente sabia que pessoas em outros países usavam. Queríamos ter acesso e não sabíamos como nem onde. Eu não achava médico aqui em Brasília que atendesse e passasse a medicação”, conta Marta.
A virada aconteceu quando ela assistiu a uma reportagem do DF2 sobre um rapaz que ganhou na Justiça o direito de cultivo da cannabis para tratamento médico.
A partir da reportagem, Marta conheceu a Associação Brasileira do Pito do Pango (Abrapango), que atua na defesa do acesso seguro e humanizado à cannabis medicinal.
A ONG, com sede em Brasília, oferece suporte jurídico e técnico a pacientes, capacita profissionais da saúde e também produz e dispensa medicamentos à base de cannabis.
“[O médico] deu os caminhos para mim também porque eu fui diagnosticada com esquizofrenia. Tenho depressão e fibromialgia”, relata Marta. Ela tinha insônia e crises de ansiedade recorrentes antes de começar o tratamento.
A medicação proporcionou um salto na qualidade de vida de Marta e Rafael. Agora, com as novas resoluções da Anvisa, as expectativas crescem ainda mais.
"Tem melhorado muito a minha vida e eu acho que vai melhorar a de muitas pessoas. Acredito que avance de uma forma que vai atingir outros públicos e tipos de doenças. Só agradeço pelas pesquisas, medicações e por conseguir sorrir hoje. A qualidade de vida que ganhamos não tem preço”, finaliza Marta.
Benefícios para a infância
Ravi com seus pais, Tamara e Gustavo Oliveira
Tamara de Matos/Reprodução
Tamara de Matos, de 32 anos, também encontrou na Abrapango suporte para o tratamento do filho, Ravi Oliveira, de 6 anos. O menino foi diagnosticado com Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
“Nossa qualidade de vida melhorou muito. Não só a do meu filho. Ele era muito agitado e agressivo. Agora, está indo muito bem na escola graças ao tratamento", conta a recreadora.
O motivo da escolha de Tamara foi justamente por ser uma opção natural para tratar a criança. Ravi utiliza o óleo de CBD (canabidiol) e CBN (canabinol) no tratamento.
🔎 Canabidiol e canabinol são substâncias presentes na planta Cannabis sativa que contam com propriedades terapêuticas. Elas possuem potencial de tratamento para condições como dor crônica, depressão, transtornos do sono, entre outros.
Segundo Tamara, o canabinol colabora principalmente no sono do Ravi. Já o canabidiol é mais utilizado durante o dia, diminuindo a agitação e melhorando a concentração.
Com a nova regulamentação, Tamara espera que as associações e universidades possam cultivar e estudar a cannabis sem sofrer com interrupções e burocracias. “Isso atrasa o progresso”, afirma.
Ela ainda enxerga outras vantagens.
“Além de ser mais em conta, a medicação chega muito mais rápido e isso garante a continuidade do tratamento. Quando a medicação não chega a tempo, o tratamento precisa ser interrompido e isso muitas vezes tem péssimas consequências”, completa Tamara.
Cultivando em casa
Érica Bogéa e a filha Tayná Carvalho
Érica Bogéa/Reprodução
Tayná Carvalho, 27 anos, teve a primeira convulsão aos sete meses de idade. Durante muitos anos, ela utilizou medicamentos alopáticos para controlar as crises.
A mãe, Érica Bogéa Carvalho, 57, conta que, embora ajudassem nas convulsões, os remédios causavam efeitos colaterais: sangramento frequente na gengiva, crescimento excessivo de pelos e alterações hormonais.
O diagnóstico da Síndrome de West foi confirmado quando Tayná tinha 14 anos. Tayná também foi diagnosticada com atraso no desenvolvimento psiconeuromotor, pouca verbalização e distúrbio comportamental.
🔎Síndrome de West é uma doença rara, caracterizada por uma epilepsia chamada de mioclônica. É mais comum entre bebês do sexo masculino e costuma se manifestar até os 12 meses de idade.
Em busca de um tratamento mais eficaz para a filha, Érica iniciou o uso de óleo à base de cannabis, rico em canabidiol. A jovem melhorou, mas o produto era muito diluído, o que exigia grande quantidade de gotas por dose e gerava alto custo para a família.
Foi então que Érica conseguiu autorização para cultivar a planta e produzir o óleo de forma artesanal. “Com a produção caseira, mais concentrada, minha filha passou a utilizar 15 gotas por dia, com acompanhamento e segurança”, explica.
Em seis anos de tratamento com óleos à base de cannabis, a família comemora os resultados.
"O sangramento gengival parou, a agitação diminui e temos maior estabilidade na rotina. Também houve avanço na fala. Ela normalmente não fala, mas começou a repetir palavras e quase formar frases após o uso”, completa Érica.
Com a ampliação do cultivo, Érica acredita que a produção nacional pode ser fortalecida, reduzindo a dependência de importação.
"O Brasil tem terra, clima favorável, universidades e profissionais capacitados para desenvolver pesquisa e produção nacional.”
“Muitas famílias ainda enfrentam burocracia e custos elevados. A produção nacional regulamentada pode tornar o acesso mais amplo e financeiramente mais viável. Estamos falando de saúde, qualidade de vida e dignidade para as famílias”, finaliza.
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