Crianças na UTI, barracas, banheiro coletivo: como está a vida de moradores de Travinhas, próximo a Paraisópolis, após incêndio

  • 23/06/2026
(Foto: Reprodução)
Travinhas, próximo a Paraisópolis: crianças na UTI e famílias vivem em barracas após fogo Famílias inteiras estão há cinco dias morando em barracas improvisadas nas calçadas das Travinhas, região próxima à comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo que foi atingida por um incêndio em 18 de junho. Moradores relatam frio intenso, falta de abrigo e ausência de respostas do poder público após o incêndio que destruiu suas casas. Além disso, duas crianças, de 7 e 12 anos, seguem internadas na UTI devido a intoxicação por fumaça. Elas já tinham diagnóstico de asma e foram levadas à UTI do Hospital Municipal do Campo Limpo após o incêndio. Segundo a tia delas, Fernanda Ferreira, moradora de Paraisópolis, ambas estão estáveis e devem ser transferidas para um quarto. Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que disponibilizou um auxílio emergencial de R$ 1.000, pago em parcela única, para as famílias afetadas (leia mais abaixo). O g1 esteve na área atingida pelo fogo, e o cheiro de madeira queimada ainda se faz presente na Rua do Símbolo. Mulheres lavam louça de forma improvisada, crianças escolhem roupas em sacos pretos de doação e os resquícios de casas são os sinais mais aparentes do que restou no dia 18, quando cerca de 150 famílias perderam suas moradias no incêndio. As causas ainda estão sendo apuradas. Mulher lava louça na calçada - pós incêndio nas Travinhas, próximo à Paraisópolis Glória Maria No mesmo dia 18, a Prefeitura de São Paulo sugeriu enviar os moradores atingidos para uma casa de acolhimento em Guaianases, na Zona Leste, mas eles recusaram. De acordo com Gilmara Oliveira, de 30 anos, líder comunitária, a localização é distante demais para quem mora e trabalha na Zona Sul. Segundo moradores, algumas famílias conseguiram ir para casas de parentes, mas muitas tiveram que improvisar moradia na calçada por não ter para onde ir. Algumas delas dormem em barracas cedidas por vizinhos, de 3 a 4 pessoas. Segundo eles, a prefeitura só forneceu colchões. Maria Aparecida, de 58 anos, conta que vivia com o marido, o neto e os filhos, e está na comunidade há 14 anos. Foi como doceira, catadora e garçonete que conseguiu seu barraco. Agora, dorme na calçada, em um colchão ao lado do marido. Maria também tem passado cerca de 10 horas por dia diante de um fogão, na área de uma casa cedida por um morador. Ela tem sido a principal responsável por cozinhar para cerca de 80 pessoas. Apesar das marmitas e de alguns alimentos enviados pela prefeitura, ainda é preciso preparar refeições. “Eu cozinho, fico cansada, mas jamais deixo minha comunidade na mão, jamais”, conta. Ela diz que só agora percebeu a dimensão do que aconteceu. “Eu acho que depois que o sangue esfriou, veio aquela dor terrível no estômago, mas uma dor que eu chegava a gritar.” Gilmara afirma que a prefeitura, por meio do Cras, distribuiu fichas para a retirada dos colchões e que ONGs de Paraisópolis têm ajudado bastante, levando alimento, roupa e cobertas. Mas, sem realocação, não há onde guardar o que recebem. “Está vindo roupa, as coisas para cá. Mas para a gente guardar onde? A gente vai pôr essas coisas onde? Não tem onde pôr.” Ela destaca ainda o frio enfrentado pelas famílias, sobretudo pelas crianças. “As crianças estão dormindo aqui, no frio extremo. Está muito frio”, relata. As famílias dividem um único banheiro cedido por um morador. Segundo Gilmara, até o momento a prefeitura não se posicionou sobre o auxílio-aluguel. “Não falaram nada. E nós já estamos pensando em reconstruir nossos barracos, porque no frio não dá pra ficar, né?” O que diz a prefeitura Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que disponibilizou um auxílio emergencial de R$ 1.000, pago em parcela única, para as famílias afetadas pelo incêndio. Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, o benefício será liberado após a conclusão do cadastro e a entrega da documentação necessária, contemplando as 46 famílias identificadas por meio do cruzamento de informações das equipes municipais. A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social afirmou que todas as famílias foram cadastradas. Seis delas aceitaram acolhimento emergencial e foram encaminhadas para serviços da rede socioassistencial do município. De acordo com a pasta, os atingidos seguem sendo acompanhados pelas equipes de assistência social e pelo Cras Vila Andrade. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania informou que forneceu água e alimentação às famílias e mantém equipes no local para levantamento das principais demandas. Já a Secretaria Municipal da Saúde disse que, até o momento, não há registro de pacientes atendidos em decorrência do incêndio. Barracas e colchões em calçadas onde moradores estão dormindo Glória Maria

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/06/23/criancas-na-uti-barracas-banheiro-coletivo-como-esta-a-vida-de-moradores-de-travinhas-proximo-a-paraisopolis-apos-incendio.ghtml


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