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Chimarrão com maconha? Conheça bebida terapêutica (e que não dá barato) compartilhada por Eduardo Suplicy em visita ao RS
26/04/2026
(Foto: Reprodução) Suplicy toma chimarrão com maconha no RS e relata melhora no sono
🧉 Uma cuia, uma bomba e uma mistura que une a mais forte tradição gaúcha a uma planta ainda cercada de tabus. A imagem do deputado estadual de São Paulo Eduardo Suplicy (PT) com um chimarrão com maconha gerou curiosidade e também debate nas redes sociais.
A associação por trás da iniciativa explicou o objetivo: usar um símbolo cultural para abrir o diálogo sobre o uso medicinal da cannabis. Ao g1, o político paulista detalhou a experiência.
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"Posso garantir que dormi muito bem", afirmou Suplicy.
Aos 84 anos, ele esteve em Porto Alegre para receber o título de Cidadão e contou que a qualidade do sono é um pilar em sua rotina de cuidados lidando com a doença de Parkinson.
"Na medida que eu tenho uma boa noite de sono, no dia seguinte eu estou muito melhor, andando com maior firmeza e me sentindo com mais energia para fazer o trabalho que felizmente ainda estou conseguindo fazer", explicou.
A iniciativa partiu de David Thomazi, presidente da Associação Flor da Cura, da região das Missões. Ele preparou e ofereceu a bebida a Suplicy.
🔎 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou em janeiro uma resolução com regras restritas que permitem que empresas e entidades façam o cultivo da cannabis medicinal no Brasil. O plantio não foi liberado para a população em geral, e a medida não trata do uso recreativo.
"Não tive nenhum receio. O uso da maconha para fins terapêuticos é milenar", disse o deputado ao g1, comparando a união das plantas a um "uso contemporâneo de plantas que vêm auxiliando a humanidade desde tempos imemoriais".
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Mas como é feito esse chimarrão? David Thomazi explica que não se trata de simplesmente adicionar a planta à erva-mate. O processo é técnico e pensado para fins terapêuticos.
"A gente utilizou uma mistura com partes da planta — folhas, talos, raízes e flores — todas secas e trituradas, resultando numa textura parecida com a erva-mate", detalha.
Segundo ele, o preparo não tem efeito psicoativo, mas visa proporcionar relaxamento e bem-estar.
"A intenção é aliviar sintomas, melhorar a qualidade de vida e trazer mais conforto. Ao unir o chimarrão com a maconha, a gente cria uma ponte. Usa uma tradição respeitada pra quebrar preconceitos e abrir diálogo sobre uma terapia que ainda é tabu", afirma Thomazi.
A Associação Flor da Cura, fundada em 2023, tem uma história que começa na família de seu presidente. Com sede no noroeste do estado, a entidade sem fins lucrativos atende hoje cerca de 150 pacientes. As precursoras foram a mãe e a avó de David.
"A segunda paciente foi a minha avó, dona Julieta, hoje com 94 anos. Na época, ela havia sido diagnosticada com Alzheimer", conta.
A melhora na família inspirou a criação da associação, que hoje auxilia pacientes com Parkinson, autismo, depressão, insônia e dor crônica.
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Debate sobre regulamentação
Tanto Suplicy quanto Thomazi usam a visibilidade do episódio para aprofundar o debate. O deputado defende a necessidade de avançar na regulamentação, mas alerta para o que chama de "interesse escuso" de setores que querem monopolizar o mercado quando for legalizado.
"É preciso ter mente aberta, serenidade e buscar informações de qualidade", aconselha.
Thomazi lembra que, enquanto o debate sobre o uso medicinal avança em certos círculos, a realidade do tráfico e do que chama de "guerra às drogas" continua a vitimar pessoas, em sua maioria negras e periféricas.
"Quem ocupa esse espaço hoje, inclusive no campo da maconha medicinal, precisa reconhecer isso e agir com responsabilidade social. Existe uma enorme dívida histórica", pontua o presidente da associação. "Enquanto hoje existe um movimento mais aceito, não podemos esquecer que houve, e ainda há, uma guerra muito violenta em torno dessa planta".
No fim, segundo ele, o objetivo é defender o direito de escolha.
"O que a gente defende é o direito das pessoas de escolherem o que é melhor pra sua saúde, com informação, segurança e dignidade — como deve ser".
Suplicy toma chimarrão com maconha e relata melhora no sono
Arquivo pessoal e Marcelo Brandt/g1
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