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Cágados de floresta nacional estão contaminados com bactérias e até antibióticos de uso hospitalar, aponta pesquisa
23/04/2026
(Foto: Reprodução) Pesquisadores estudam cágados e a importância dele para a floresta nacional, em Cachoeiro
Pequenos, tímidos e ameaçados de extinção, os cágados - parentes próximos das tartarugas - voltaram a ser vistos nas águas do Rio Itapemirim, dentro da Floresta Nacional de Pacotuba, em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. No entanto, os animais foram encontrados contaminados com bactérias resistentes e resíduos de antibióticos de uso hospitalar.
A constatação faz parte de uma pesquisa realizada por uma equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com pesquisadores de diferentes estados do país.
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Segundo o médico-veterinário e professor Paulo Henrique Braz, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), os cágados analisados apresentaram sinais de contaminação que indicam contato direto com poluentes, mesmo dentro de área de proteção.
“A gente conseguiu já ver algumas bactérias que são resistentes, inclusive a antibióticos de uso hospitalar. Pode ser até devido a dejetos que saem de hospitais e vão parar nesses locais ou até mesmo a população que possa estar descartando remédio de forma incorreta e vai parar em lençóis freáticos”, explicou o pesquisador.
Cágados de floresta nacional no Espírito Santo estão contaminados com bactérias e até antibióticos de uso hospitalar, diz pesquisa
Reprodução/ TV Gazeta
Os cágados são considerados bioindicadores, ou seja, sua presença e saúde refletem diretamente a qualidade do ambiente em que vivem.
Como vivem por longos períodos, que podem ultrapassar os 100 anos, eles acumulam ao longo da vida os efeitos da poluição da água e do solo.
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Pesquisadores analisam cágados em floresta nacional no Espírito Santo
Reprodução/ TV Gazeta
Pesquisa inédita no Espírito Santo
Na Floresta Nacional de Pacotuba, o estudo tem avançado desde o ano passado, quando a espécie foi redescoberta na região após 45 anos sem registros. Desde então, nove indivíduos já foram identificados.
Durante as expedições, os pesquisadores percorrem o rio em pequenas embarcações e instalam armadilhas específicas para capturar os animais sem causar ferimentos. Após a captura, são feitas medições, pesagem e coleta de sangue.
Os dados ajudam a determinar parâmetros de saúde da espécie, algo que ainda é pouco conhecido no Brasil, que abriga mais de 30 tipos de cágados.
Cágado encontrado em floresta nacional no Espírito Santo
Reprodução/ TV Gazeta
Assim como os humanos, que têm valores de referência em exames de sangue, os pesquisadores querem estabelecer esses parâmetros para os cágados.
Preservação e conscientização
Além da coleta de dados científicos, os pesquisadores trabalham em conjunto com comunidades ribeirinhas da região para reforçar a importância da preservação da floresta e dos animais que nela vivem.
A presença de cágados jovens identificados nas últimas capturas também traz um sinal de esperança: há reprodução da espécie no Rio Itapemirim, o que pode indicar uma lenta recuperação ambiental na área protegida.
Cágados de floresta nacional no Espírito Santo estão contaminados com bactérias e até antibióticos de uso hospitalar, diz pesquisa
Reprodução/ TV Gazeta
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