Ataques de Trump aos líderes da Europa agravam as relações dos países com os Estados Unidos

  • 01/05/2026
(Foto: Reprodução)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 28 de abril de 2026 Chris Jackson/Pool via REUTERS As últimas semanas não foram tranquilizadoras para quem acreditava que a Europa conseguiria lidar com sua relação delicada com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nesta semana, Trump atacou o chanceler alemão Friedrich Merz por suas críticas à guerra no Irã, chamando-o de “totalmente ineficaz”, e ameaçou reduzir os 36,4 mil soldados americanos baseados na Alemanha. Ele também mirou o primeiro-ministro britânico Keir Starmer em termos fortemente pessoais, dizendo que ele “não é Winston Churchill” e ameaçando impor uma “grande tarifa” sobre importações do Reino Unido. Mais preocupante para a Europa, o Departamento de Defesa dos EUA cogitou punir aliados da OTAN que, na sua avaliação, não estão apoiando as operações americanas na guerra com o Irã — incluindo suspender a Espanha como membro e rever o reconhecimento dos EUA das Ilhas Falkland como território britânico. Vídeos em alta no g1 “É inquietante, para dizer o mínimo”, afirmou um diplomata europeu. “Estamos preparados para qualquer coisa, a qualquer momento.” As mais recentes investidas dos EUA, motivadas por divergências sobre a guerra no Irã, parecem ter levado as relações entre EUA e Europa de volta ao início do segundo governo Trump e levantam novas dúvidas sobre a melhor forma de lidar com um aliado imprevisível. Um segundo diplomata europeu afirmou que a ex-chanceler alemã Angela Merkel, que teve uma relação turbulenta com Trump durante seu primeiro mandato, serviu de modelo para a abordagem correta. “Todos nós já aprendemos um pouco sobre como lidar com Trump. Não se deve reagir imediatamente, é preciso deixar a tempestade passar, mantendo-se firme em suas posições”, disse. Mesmo aqueles que tentaram usar a bajulação enfrentaram a ira de Trump, acrescentou o diplomata. “Todos que tentaram isso receberam sua rodada de insultos, como os outros. Então todos percebem agora que bajulação também não funciona.” A Casa Branca não comentou de imediato. O chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante conversa no Salão Oval da Casa Branca, em 3 de março de 2026. Jonathan Ernst/ Reuters De volta à mira No ano passado, tarifas impostas pelos EUA, a tentativa de Trump de adquirir a Groenlândia e a redução da ajuda americana à Ucrânia já haviam abalado profundamente as relações transatlânticas. Alguns líderes, incluindo Starmer, Merz e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, trabalharam para estabilizar os laços por meio de visitas frequentes, acordos comerciais e mudanças de política — algumas impopulares internamente —, apenas para voltarem à linha de fogo após o início da guerra no Irã, em fevereiro. Até o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, conhecido na Europa como alguém que sabe lidar com Trump, foi repreendido pelo presidente durante uma reunião na Casa Branca neste mês. Trump também criticou Meloni — antes sua líder europeia favorita — após ela condenar a guerra no Irã e repreendê-lo por um ataque verbal que classificou como “inaceitável” contra o papa Leão. Embora muitos integrantes do governo americano vejam a Europa com ceticismo, nem todos no Partido Republicano apoiam a abordagem de Trump. “Os ataques contínuos aos aliados da OTAN são contraproducentes, esses comentários prejudicam os americanos”, escreveu o deputado republicano Don Bacon na rede X, na quinta-feira, após a ameaça de Trump de reduzir o número de tropas na Alemanha. “Os dois grandes campos aéreos na Alemanha nos dão excelente acesso a três continentes. Estamos atirando no próprio pé.” Algumas publicações de Trump nas redes sociais nesta semana pegaram autoridades europeias de surpresa. Menos de duas horas antes da postagem sobre o nível de tropas americanas na Alemanha, o principal general de Berlim, Carsten Breuer, disse a jornalistas que recebeu sinal verde para a nova estratégia militar alemã ao se reunir com o subsecretário de Defesa Elbridge Colby no Pentágono mais cedo naquele dia. Ele não indicou que qualquer redução de tropas tivesse sido discutida. A embaixada alemã não comentou. Autoridades militares alemãs demonstraram relativa tranquilidade diante da situação, e a cooperação militar permaneceu intacta, disse um ex-alto funcionário de Defesa dos EUA. “Eles dizem: ‘Já vimos esse filme antes. Vai ter muito discurso inflamado e, no fim das contas, nada vai mudar.’” Oposição mais firme aos EUA Jeffrey Rathke, ex-diplomata americano e chefe do Instituto Americano-Alemão da Universidade Johns Hopkins, afirmou que os aliados europeus estão se tornando mais firmes em sua oposição às políticas de Trump, em parte devido à pressão política interna. “Merz tem sido cada vez mais direto em suas críticas à decisão dos EUA de entrar em guerra contra o Irã”, disse. “Está claro que algo mudou para alguém que, apenas dois meses atrás, fazia questão de dizer: ‘Não é o nosso momento de dar lições aos Estados Unidos.’” “A guerra dos EUA não é algo que o público alemão possa observar de forma distante. É algo que os afeta”, acrescentou, citando a alta nos custos de energia relacionada ao conflito. Diplomatas europeus afirmam que continuam comprometidos com as relações transatlânticas, mesmo com o deslocamento das “placas tectônicas” entre Europa e Estados Unidos, mas reconhecem a necessidade de mudanças. “Para nós, a principal lição é que não podemos mais depender do status quo do pós-Segunda Guerra Mundial e que precisamos ser não apenas uma potência de influência, mas também um espaço respaldado por poder”, disse um diplomata ocidental, destacando que os europeus estão agindo rapidamente para ampliar suas capacidades militares.

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/01/ataques-de-trump-aos-lideres-da-europa-agravam-as-relacoes-dos-paises-com-os-estados-unidos.ghtml


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