Mega Fm Ata (Araçatuba-Sp) Whatsaap: 18 98119-2663
Após vetar uso para fins estéticos, CFM quer que Anvisa restrinja o uso do PMMA
01/06/2026
(Foto: Reprodução) Conselho de Medicina pede que Anvisa proíba a venda de PMMA, usado em clínicas estéticas
Reprodução/TV Globo
O presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), José Hiran Gallo, afirmou nesta segunda-feira (1º) que a entidade defende que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determine o banimento do uso do PMMA (polimetilmetacrilato) no Brasil.
"Vamos marcar reunião com presidente da Anvisa para banir das prateleiras esse produto", afirmou Hiran. O presidente do CFM diz que o PMMA traz problemas para "milhares de brasileiros". "Essa é uma decisão ética e de extrema segurança para a população", afirma.
O CFM proibiu, nesta sexta-feira (29), médicos de usarem PMMA como substância preenchedora em todo o Brasil, tanto para fins estéticos quanto reparadores. A medida entra em vigor na próxima terça-feira (2).
A decisão ocorre em um momento em que entidades médicas das áreas da dermatologia e da cirurgia plástica alertam para o crescimento da realização de procedimentos estéticos invasivos por profissionais não médicos, com casos de complicações graves associados a essas práticas.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Segundo a nota do CFM, a única exceção é para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids e desde que realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
🔎 O polimetilmetacrilato (PMMA) é uma substância sintética composta por microesferas suspensas em gel e utilizada como preenchedor permanente. Na medicina, seu uso é autorizado em situações específicas, como a correção de deformidades e a reconstrução de tecidos. Nos últimos anos, porém, o produto também passou a ser aplicado em procedimentos estéticos para aumentar o volume de regiões do corpo, como glúteos e rosto, prática que é alvo de críticas de entidades médicas devido ao risco de complicações graves.
A decisão, no entanto, afeta apenas os médicos. O CFM já tinha pedido a proibição do PMMA como preenchedor à Anvisa, mas isso não ocorreu ainda.
Vale dizer que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) só recomenda o uso do produto para médicos e dentistas, em duas situações:
No preenchimento do rosto e do corpo
Na correção de deformidades no rosto no pós-tratamento de pessoas que foram infectadas com o vírus HIV
"Em 2022, em comunicado aos profissionais de saúde e pacientes, a Anvisa já havia reforçado de forma mais assertiva, os limites de uso e as indicações aprovadas para os produtos, como correção de defeitos tegumentares e correção volumétrica facial e corporal em casos necessários, por motivações de saúde e sob indicação médica, reforçando, que não há indicação para aumento de volume meramente estético", disse a Agência nesta sexta.
Nesta semana, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) também se manifestou a favor da proibição. Em nota, a entidade lamentou mais uma morte associada ao uso do polimetilmetacrilato (PMMA) em procedimentos estéticos e reafirmou seu posicionamento contrário ao uso da substância para fins estéticos e cosmiátricos.
O estopim para a proibição foi mais uma morte em decorrência do uso do produto. Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, morreu na manhã desta segunda (26) após passar mal em uma clínica estética localizada em São Paulo.
Segundo o boletim de ocorrência, Roseli havia passado por um procedimento estético nos glúteos e na parte posterior das coxas com aplicação de PMMA.
De acordo com o depoimento da filha da vítima à Polícia Civil, Roseli começou a passar mal na manhã de terça, um dia após a aplicação da substância. Segundo o relato, ela reclamava de dores, mal-estar, coração acelerado e dificuldade para respirar.
Vídeo mostra chegada de paciente desacordada à clínica onde morreu em SP
Confira a nota, na íntegra, do Conselho Federal de Medicina:
CFM proíbe o uso médico da substância no País
A partir desta terça-feira (02), estará proibido o uso médico de PMMA (polimetilmetacrilato) em todo o Brasil como substância preenchedora, seja com finalidade estética ou reparadora. A única exceção é para o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids e desde que realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e em conformidade com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde. É o que define a Resolução nº 2.461/2026 do Conselho Federal de Medicina (CFM), que será publicada no dia 02 de junho de 2026 no Diário Oficial da União (DOU). A coletiva de imprensa terá a presença do presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, e da relatora da resolução, a cirurgiã plástica e conselheira federal Graziela Bonin.
Não foi o primeiro caso de problemas com PMMA
Em fevereiro do ano passado, o Fantástico mostrou casos de pessoas que fizeram o uso do PMMA para fins estéticos.
A influenciadora digital Mariana Michelini passou por um procedimento de harmonização facial em dezembro de 2020, realizado por uma dentista em uma clínica de estética na cidade de Matão (SP).
Cerca de seis meses depois, ela começou a apresentar complicações associadas à substância utilizada no procedimento.
"Eu acordei totalmente com a boca inchada, com o queixo inchado, desesperada. Uma boca muito inchada, parecia que ia explodir a minha boca."
Mariana achou que a harmonização tinha sido feita com ácido hialurônico, que é muito usado nesse tipo de procedimento para dar mais volume a determinadas áreas do rosto e também suavizar linhas de expressão. Mas, como ela estava sentindo muita dor e inchaço aumentando cada vez mais, ela buscou ajuda médica.
O médico descobriu que o produto injetado foi o polimetilmetacrilato. "Eu entrei em desespero, eu achei que eu fosse morrer", disse a influencer.
Segundo José Hiran da Silva Gallo, presidente do CFM, a medicina já tem produtos muito mais seguros do que o PMMA.
"Ao longo do tempo, ficou demonstrado que os riscos suplantam e muito seus possíveis benefícios. As complicações do PMMA muitas vezes são tardias, relacionadas a características do produto, e ocorrem mesmo quando aplicados por médicos especialistas”, disse Gallo.
Apenas dois produtos à base de PMMA têm registro aprovado no Brasil, diz Anvisa
Segundo a Anvisa, atualmente, existem dois preenchedores intradérmicos a base de PMMA registrados no Brasil:
LINNEA SAFE , da empresa Lebon Produtos Farmacêuticos Ltda
e BIOSSIMETRIC , da empresa MTC Medical Comercio Industria Importação e Exportação de Produtos Biomedicos Ltda.
Em 2022, em comunicado aos profissionais de saúde e pacientes, a Anvisa reforçou, de forma mais assertiva, os limites de uso e as indicações aprovadas para os produtos, como correção de defeitos tegumentares e correção volumétrica facial e corporal em casos necessários, por motivações de saúde e sob indicação médica. A agência destacou que não há indicação para aumento de volume meramente estético.
Ainda de acordo com a agência, a indicação e a aplicação do PMMA devem ser restritas a profissionais médicos legalmente habilitados e devidamente treinados no procedimento, considerando os riscos inerentes e a necessidade de domínio anatômico e técnico.
Em 2023 a publicação da resolução 4424 /2023 da agência reforçou a proibição, a todas as farmácias de manipulação, de comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso de preenchedores intradérmicos, dentre eles os enquadrados como dispositivos médicos, como o PMMA.
Em março de 2026, a Anvisa publicou outro alerta sobre preenchedores intradérmicos (dentre eles o PMMA).
Ao longo de 2025, a Agência instaurou um longo e complexo processo de reavaliação do perfil de risco/benefício do PMMA com base em materiais apresentados pelo CFM, na literatura científica disponível e nas experiências regulatórias internacionais, visando um controle sanitário mais efetivo, dentro de sua competência institucional.
A agência avaliou os produtos aprovados no Brasil e os serviços e estabelecimentos envolvidos na cadeia produtiva e assistencial que utilizam o PMMA como dispositivo médico. Ela realizou também inspeções físicas nas unidades de produção dos dois fabricantes que possuem produtos aprovados no Brasil e constatou que as empresas cumprem as Boas Práticas de Fabricação (BPF) exigidas para a fabricação deste tipo de produto, de alta complexidade.
Confira nota da Anvisa:
“Com base nas evidências disponíveis, concluiu-se que, quando utilizado conforme as indicações aprovadas e sob condições adequadas de uso, os produtos aprovados apresentam perfil de risco-benefício aceitável. Não se identificou, até o momento, a necessidade de adoção de medidas adicionais às já implementadas.
Cabe também aos demais entes do sistema de saúde atuarem com vistas à prevenção e repressão de práticas que extrapolem as indicações autorizadas para os produtos ou que comprometam a segurança dos pacientes.
Ainda é importante lembrar da importância de que eventos adversos ou queixas técnicas relatados por pacientes e profissionais de saúde sejam notificados à Anvisa por meio do endereço. A notificação de eventos adversos auxilia a Agência nas tomadas de decisão”.
Danos do PMMA