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Amapá lidera homicídios no Brasil, segundo Atlas da Violência
26/05/2026
(Foto: Reprodução) Brasil registra menor número de homicídios da série histórica
O Amapá aparece como o estado mais violento do país, de acordo com o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em 2024, o estado registrou 363 homicídios, o que corresponde a uma taxa de 45,7 por 100 mil habitantes — mais que o dobro da média nacional (20,1).
Entre 2014 e 2024, o Amapá foi a única unidade da federação com aumento expressivo tanto na taxa (+30,2%) quanto no número absoluto (+41,8%).
Veja MAPA com os estados mais e menos violentos do Brasil, segundo o Atlas da Violência
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Amapá (Sejusp) se pronunciou através de nota oficial. (Veja no fim da reportagem).
Jovens e adolescentes são os mais atingidos
Jovens de 15 a 29 anos: 234 homicídios, taxa de 114,7 por 100 mil — a maior do Brasil.
Adolescentes de 15 a 19 anos: 67 homicídios, taxa de 93,6 por 100 mil.
O Atlas mostra que o Amapá também apresenta uma das maiores desigualdades raciais do país:
População negra: 351 homicídios, taxa de 56,8 por 100 mil — a maior do Brasil.
População não negra: 6 homicídios, taxa de 3,4 por 100 mil.
Risco relativo: Uma pessoa negra no Amapá tem 16,7 vezes mais chances de ser assassinada do que uma não negra, o segundo maior risco relativo do país.
Comparação nacional
Enquanto o Amapá lidera com a maior taxa, São Paulo registrou o menor índice: 6,6 homicídios por 100 mil habitantes, cerca de um terço da média nacional. Outros estados com taxas elevadas incluem Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3).
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Análise
Os dados divulgados nesta terça-feira (26) reforçam que o Amapá vive uma situação crítica:
É o estado com maior taxa de homicídios do Brasil;
A violência atinge de forma desproporcional jovens e adolescentes;
A população negra enfrenta risco muito maior de ser vítima de homicídio;
O cenário coloca o Amapá no centro do debate sobre segurança pública e políticas de prevenção, exigindo ações urgentes para reduzir a letalidade e enfrentar as desigualdades raciais.
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Sobre o levantamento
O Amapá apresentou a maior taxa, com 45,7 homicídios por 100 mil habitantes. O índice é mais que o dobro da média nacional.
São Paulo teve a menor taxa, com 6,6 homicídios por 100 mil habitantes. O índice equivale a cerca de um terço da taxa nacional.
Ao todo, 18 unidades da federação tiveram taxa de homicídios acima da média do país. As maiores taxas foram registradas no Amapá, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Ceará.
Um dos fatores apontados pela pesquisa para a queda é "acomodação" da guerra do narcotráfico.
“Esse processo de controle da rota gerou conflitos muito intensos e mortes, sobretudo envolvendo as duas maiores facções do Brasil, o PCC e o Comando Vermelho, além de aliados regionais no Norte e no Nordeste. Essa guerra foi mais intensa em 2016 e 2017. Em 2018, os homicídios começam a cair e começa também um processo de acomodação. Uma guerra que se prolonga por muito tempo, sem um resultado claro, passa a ter custos econômicos inviáveis”, explica Daniel Cerqueira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e coordenador do Atlas da Violência.
Infográfico - Mapa mostra taxa de homicídios no Brasil em 2024 por estados.
Alberto Correa - Arte/g1
Amapá é um dos estados que lideram o número de homicídios no país
Polícia Civil do Amapá/Divulgação
Nota da Sejusp
O Governo do Amapá acumula nos últimos três anos resultados históricos no combate ao crime organizado e mortes violentas, com redução de 30,6% nos índices de mortes violentas letais, ocupando a liderança nacional, segundo dados do Anuário de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ficando à frente de estados como Tocantins (27,9%) e Roraima (27,1%), respectivamente.
Vale ressaltar que os dados divulgados pelo Atlas da Violência 2026 considera um diagnóstico retroativo de 2024 e promove, ainda, uma comparação desproporcional à realidade local ao relacionar na mesma métrica de 100 mil habitantes o Amapá, que possui cerca de 806 mil habitantes, contra São Paulo, onde residem 46,1 milhões de pessoas, segundo o IBGE. No Amapá, poucos homicídios já contabilizam para a taxa subir 1 ponto. Em São Paulo, para a taxa subir 1 ponto, são necessários centenas de homicídios.
Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) indicam que o Amapá reduziu em 75% o índice de roubos no estado entre 2023 e janeiro de 2026, impulsionando a sensação de segurança pela população. O Amapá também ocupa o "Top 10" de estados com melhores resultados na segurança pública, quando comparados a si próprios no ano de 2023, segundo relatório do Centro de Liderança Pública (CLP). O desempenho do Amapá na redução da violência também é histórico ao alcançar, nos últimos 15 anos, o menor registro de mortes violêntas em 2025, ao mesmo tempo que a população do estado cresceu mais de 20,4%, segundo o IBGE.
Tudo isto é resultado de um investimento de mais de R$ 200 milhões nos últimos três anos no fortalecimento do policiamento preventivo, ostensivo e investigativo, bem como integração das forças e uso de tecnologia na proteção do cidadão, aliados a ampliação de projetos sociais que levam serviços e ações de prevenção para dentro das comunidades, colocando o Estado como modelo de gestão da segurança pública em âmbito nacional.
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